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Primeira presidente mulher da Bolívia foi de guerrilheira a fantoche dos militares

Jeanine Anez não é a primeira presidente mulher da Bolívia - Foto: AIZAR RALDES/AFP via Getty Images

Jeanine Añez, 52, não é a única mulher a chegar à Presidência da Bolívia. Há 40 anos, em circunstâncias igualmente estranhas e num ambiente político também bastante instável, o posto praticamente caiu no colo de outra mulher, Lidia Gueiler Tejada, que governou de 1979 a 1980.

Gueiler era presidente da Câmara dos Deputados e pertencia ao grupo político do ex-presidente Victor Paz Estenssoro (1907-2001), que havia sido presidente em três ocasiões.

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Nas eleições de 1979, nenhum dos candidatos recebeu 50% dos votos e, pela lei da época, a escolha tinha que ser feita pelo Parlamento, que tampouco chegou a um consenso.

O poder acabou ficando com o líder do Senado, Walter Guevara. No entanto, os militares não aceitaram a ideia e promoveram um golpe, liderado pelo general Alberto Natusch.

Mas o plano das Forças Armadas também não deu certo. Uma grande greve geral pressionou os militares, que, 16 dias depois, entregaram o cargo à presidente da Câmara de Deputados, Lidia Gueiler.

Os historiadores, porém, referem-se a esse período como parte de um governo militar, em que Gueiler era apenas um rosto civil para acalmar os trabalhadores e amenizar o impacto do golpe.

O curioso é que, em seu passado, Gueiler havia tido um histórico político muito diferente de Añez.

Se a autoproclamada presidente da Bolívia é uma mulher religiosa e conservadora, Gueiler havia sido guerrilheira na juventude, tendo atuado como transportadora de armas para a milícia Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) --ou seja, era partidária da luta armada.

Conhecida por ser muito combativa, fez uma greve de fome em 1951, com outras 27 mulheres, pela libertação de presos políticos. Após oito dias, alcançaram o objetivo.

De classe média alta, era boa jogadora de tênis, ruiva e gostava de ler romances proibidos na época militar, o que tornou sua vida pessoal objeto de curiosidade popular.

Gueiler acabou tirada do poder por outro golpe militar, deixando o país e buscando exílio na França. Ela morreu em 2011, aos 80 anos, em La Paz.

***Por Sylvia Colombo, da Folhapress