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10 previsões para o futebol brasileiro nos próximos 20 anos

É muito difícil saber para onde o mundo caminhará na era da tecnologia. Em 2000, você imaginaria que, em 2020, não só teríamos árbitro de vídeo como não conseguiríamos mais viver sem ele? Que o futebol estaria mais no streaming do que na TV? Que, após um resultado no futebol, tiraríamos sarro (ou sofreríamos) de vários amigos ao mesmo tempo com memes via WhatsApp? Arriscamos aqui dez previsões para o futebol brasileiro até 2040.

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Palmeiras e Flamengo disputaram o título brasileiro nos últimos anos. Foto: Wagner Meier/Getty Images

Concentração de riqueza fará futebol brasileiro ter poucos times campeões

Desde que o Campeonato Brasileiro ficou em pontos corridos, as zebras campeãs basicamente sumiram. Os campeões foram os times que hoje mais ganham dinheiro no Brasil, como Flamengo, Palmeiras, Corinthians e São Paulo, além do Cruzeiro e Santos, organizados por vários anos, e um Fluminense endinheirado. Times que também se organizaram e/ou inflaram seus orçamentos em anos específicos, como Inter, Grêmio, Vasco (2011), Atlético-MG e Athletico-PR chegaram a ameaçar. 

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Desde 2013, primeiro ano com as cotas negociadas de forma individual com a TV, os quatro clubes já citados passaram a ganhar mais dinheiro do que os outros de forma clara. Mesmo com a negociação mais equilibrada a partir de 2019, a disparidade ainda é grande e a tendência é o Brasileirão ficar ainda mais previsível, como os campeonatos nacionais europeus. Em 20 temporadas, podemos arriscar dois times campeões diferentes de Flamengo, Palmeiras, Corinthians e São Paulo. O único “furo” na previsão pode ser o aparecimento de clubes-empresas com mecenas.

Streaming é realidade. Foto: Getty Images

O futebol será muito menos transmitido na TV aberta

A audiência média do futebol de clubes está caindo. A Globo já ameaça há anos passar menos jogos na TV aberta e os exemplos práticos começaram em 2018, com a emissora guardando alguns jogos-chave para o pay-per-view. 

Com o crescimento de serviços de streaming e a tendência das ligas de abrirem negociações para a internet aberta, é provável que o futebol esteja mais nos nichos durante a maior parte do tempo. As decisões e grandes eventos são mais propensos a continuar com destaque na TV aberta.

Virar empresa será a única alternativa para vários clubes. Foto: Bruna Prado/Getty Images

A maioria dos clubes da Série A virará empresa limitada ou S/A

Pela pouca responsabilidade e amadorismo das gestões, os clubes brasileiros sempre foram endividados. Os dirigentes, eleitos por conselheiros, nunca gostaram de perder o poder. Porém, alguns motivos podem fazer com que essa ideia mude e o futebol dos clubes seja comprado sem sociedades limitadas ou anônimas. 

As gestões que acabaram com as dívidas de Flamengo e Palmeiras, os governos cada vez mais duros e o mercado cada vez mais impaciente com as finalidades não lucrativas dos clubes são razões suficientes para clubes tradicionais, mas endividados, olharem para a venda como única solução. Nesse caso, os clubes grandes que têm dívidas são os principais interessados, apenas esperando a lei mudar moderadamente. Porém, isso não quer dizer que as gestões melhorarão.

Quase todo mundo ama e odeia o VAR. Foto: Buda Mendes - FIFA/FIFA via Getty Images

A tecnologia melhorará, mas o VAR continuará sendo criticado como é hoje

Times continuarão perdendo. Portanto, é razoável pensar que dirigentes, jogadores e torcidas continuarão tentando achar culpados pelas derrotas. E a arbitragem, por mais que evolua, continuará sendo alvo de polêmicas. 

A tecnologia do impedimento melhorará, ficando com uma precisão quase absoluta. O cronômetro pode parar com a bola fora de campo, algo que tiraria mais responsabilidade dos árbitros nos acréscimos. Porém, discussões sobre faltas e bolas no braço continuarão. São problemas insolúveis do futebol. 

Mesmo com críticas, o Brasil sempre chega entre os favoritos. Foto: Lionel Ng/Getty Images

Com cinco chances, o Brasil ganhará pelo menos uma Copa do Mundo

O Brasil continua sendo o maior exportador de jogadores de futebol do mundo. Parece óbvio que a Seleção Brasileira continuará sendo formada por jogadores que estarão nos principais clubes do mundo. Portanto, uma seleção forte, no mínimo do mesmo nível que chegou à última Copa do Mundo, com chances claras de vencê-la, continuará sendo formada. A população do Brasil é grande e a geração de jogadores pode ser mediana, mas nunca é ruim.

A Copa do Mundo é uma competição em que um time faz no máximo sete jogos (seis, se o regulamento mudar) e ocorre a cada quatro anos. Não é algo que favorece os grandes times e abre muito chance para zebras, principalmente com contusões ou má fase de jogadores importantes. Mas, mesmo assim, Brasil e Alemanha têm mais chances que o resto no médio prazo (20 anos) por chegarem em todas as Copas com seleções fortes. Outras seleções têm dificuldades e ficam muito dependentes de algumas gerações.

Pela paixão do povo e pela população do Brasil, novas Martas surgirão. Foto: AP Photo/Francisco Seco

Com dez chances, a Seleção feminina ganhará uma Copa do Mundo ou Olimpíada

Pela obrigatoriedade dos grandes times brasileiros de terem equipes femininas, o futebol feminino vai se desenvolver. E uma base será criada no país que tem o futebol como praticamente único esporte. 

Com cinco chances de Olimpíadas e cinco chances de Copas do Mundo, é provável que a Seleção feminina encaixe ao menos um título, até pela concorrência não ser duríssima.

Brasil x Boca x River. Cansaremos disso. Foto: AP Photo/Ernesto Arias

Libertadores será dominada por Boca, River e brasileiros; Champions das Américas será criada

Com sete brasileiros e seis argentinos garantidos na Libertadores, abrindo espaço para o atual campeão e vencedor da Sul-Americana, são muitos times desses dois mercados. Boca e River, assim como os quatro times brasileiros citados nos itens acima (Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo), estão dominando financeiramente seus países. Porém, é uma competição mata-mata, que dá chances a vários times.

Com o provável domínio Brasil-Argentina, pode ser interessante para a Conmebol daqui a alguns anos juntar a sua principal competição com a Concacaf, de olho especialmente nos times mexicanos e americanos. Isso melhorará o nível da competição, além de aumentar sua audiência com os EUA. É fato que isso vai acontecer, mas ainda não sabemos se em 20 anos.

Gringos no Brasil fazem parte de cena comum no futebol. Foto: Lucas Uebel/Getty Images

O futebol brasileiro aumentará o limite de estrangeiros

A globalização é realidade e a xenofobia diminuirá lentamente ao longo dos anos. No futebol brasileiro, aumentar os cinco estrangeiros que são possíveis hoje por time nas competições da CBF é uma maneira de times com poucos recursos financeiros se reforçarem de forma mais econômica e se tornarem mais competitivos. Essa previsão está atrelada, claro, ao fato de o Brasil continuar com a maior economia da América do Sul, algo bem provável. Assim como o fato de não termos um fortalecimento de laços do Mercosul como na União Europeia, com livre circulação de pessoas.

Estádio vazio e pouca emoção, a tônica dos Estaduais hoje. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

Os Estaduais vão acabar (ou serão limitados a pouquíssimas datas)

Pelo interesse cada vez menor da TV e dos grandes clubes, o Estadual foi aos poucos perdendo valor neste século. Já há em andamento um movimento dos atletas por menos jogos de futebol na temporada, para dar mais tempo de descanso e aumentar o nível do jogo. Com esse corte, é extremamente provável que os Estaduais sejam os principais afetados. 

Em um calendário respeitando a data Fifa, os Estaduais não passariam de mais de seis jogos por clube que disputa as Séries A e B do Brasileirão. E essa é a tendência do futebol brasileiro. Caso as federações estaduais continuem com o poder de voto para presidente da CBF que têm hoje, os Estaduais também não devem ir longe, já que os grandes clubes, ajudados pela TV, devem formar uma liga nacional e boicotarem os torneios locais.

Time de LOL do Flamengo. Foto: Wojciech Wandzel/Riot Games Inc. via Getty Images

A maioria dos times da Série A terão equipes de eSports e lucrarão com isso

A entrada de clubes de futebol nos esports já é uma tendência no mundo todo e algumas equipes brasileiras já aderiram, como Corinthians, Flamengo, Remo e Santos. Nos casos de Timão e Fla, parcerias de licenciamento da marca com operações realizadas por entidades conhecidas do cenário deram muito certo. Pode ser um caminho para atrair uma maior participação.

Vale lembrar que equipes como Palmeiras e São Paulo já buscaram oportunidades para entrar nos esports recentemente e é um caminho natural para buscar mais torcedores, até porque hoje os jogos são uma grande competição para os clubes, visto que assim como os games, o futebol também é um entretenimento.

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