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Previsões do mercado indicam queda de até 3% no PIB brasileiro em 2020

Valor

Onda de revisões dos números deflagrada nos últimos dias tenta absorver impactos econômicos do coronavírus no Brasil e no mundo As revisões apresentadas pelo governo nesta sexta-feira para a economia brasileira seguem uma série de cortes feitos por alguns dos principais bancos e consultorias para o desempenho do PIB nos últimos dias. A visão predominante do mercado nos números mais recentes é de um impacto relevante da epidemia de coronavírus na atividade e um resultado negativo em 2020.

Morador da Rocinha no Rio de Janeiro usa máscara contra o coronavírus

AP Photo/Silvia Izquierdo

A dificuldade de fazer previsões em meio a um ambiente bastante incerto é citado por vários analistas. O Itaú Unibanco, por exemplo, acredita que, num cenário mais pessimista, o PIB poderia cair 1,6% e, no mais otimista, haveria alta de 0,2%.

A projeção oficial do banco aponta para uma queda de 0,7% neste ano, ante número anterior de alta de 1,8%. Para a equipe econômica do Itaú Unibanco, a crise é severa, mas temporária. O grupo traça um quadro e recuperação forte em 2021, com avanço de 5,5%.

Para Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú, o impacto sobre a atividade econômica dependerá da extensão da paralisação das atividades no país e o cenário pode se mostrar pior caso a crise resulte em quebradeira de empresas.

O ASA Bank trabalha com um dos cenários mais pessimistas, em que haveria paralisação da atividade no segundo trimestre e restrições à circulação de pessoas em ao menos um terço do período. O resultado seria uma retração de 3% para a economia brasileira.

“Torcemos para estarmos errados nestas projeções”, dizem em relatório os economistas Carlos Kawall, Gustavo Ribeiro e Leonardo Costa, destacando que a incerteza é elevada.

O BNP Paribs e a MCM Consultores trabalham com uma contração de 1% para a economia brasileira. “O setor de serviços preocupa particularmente, porque é bastante concentrado, de certa maneira, em centros urbanos e muito suscetível aos impactos de demanda”, diz Gustavo Arruda, economista-chefe do BNP.

Já o Bank of America (Bofa) e o Banco Safra veem impacto mais limitado e sugerem queda de 0,5% e 0,3%, respectivamente.