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Prevent Senior se consagrou com planos acessíveis a idosos e tinha lucros crescentes antes da Covid

·3 minuto de leitura
*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, BRASIL. 20.03.2020 - COVID 19 -  Fachada do hospital Sancta Maggiori da Prevent Senior na rua Maestro Cardin no Paraiso. (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)
*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, BRASIL. 20.03.2020 - COVID 19 - Fachada do hospital Sancta Maggiori da Prevent Senior na rua Maestro Cardin no Paraiso. (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Alvo de uma série de denúncias que a levaram à CPI da Covid, a operadora Prevent Senior se consagrou no mercado de assistência médica nas últimas duas décadas com um modelo de planos de saúde mais acessíveis aos mais velhos.

A empresa, assim, apostou exatamente no público do qual a maioria dos planos quer distância por causa dos altos custos envolvidos.

No ano passado, seu público principal tornou-se também o alvo mais vulnerável ao coronavírus. Quando a Covid chegou ao Brasil, os casos começaram a pipocar sob os braços da Prevent, a ponto de a operadora registrar 5 das 7 primeiras mortes pela doença no país.

O impacto das mortes no ano passado, porém, seria pouco se comparado aos ataques que a operadora passou a sofrer nos últimos dias.

Médicos e ex-médicos da Prevent Senior elaboraram um dossiê com denúncias contra a empresa, acusada de usar pacientes como cobaias de medicamentos sem eficácia comprovada e de cometer fraude em atestados de óbito.

Além das denúncias dos médicos, a Prevent Senior também foi investigada por supostamente omitir casos confirmados de Covid, atuar com hospitais superlotados, ter insuficiência de funcionários e desorganização no fluxo hospitalar.

A pandemia veio abalar uma fase de forte crescimento da Prevent Senior. Em cinco anos, a empresa viu seu faturamento saltar de R$ 1 bilhão em 2014 para R$ 3,5 bilhões em 2019. No mesmo período, o lucro passou de R$ 56 milhões para perto de R$ 410 milhões. Isso com uma carteira de 456 mil beneficiários, a maioria (346 mil) com 61 anos ou mais.

Fundada há 24 anos na Mooca (zona leste de São Paulo) pelos irmãos Eduardo e Fernando Parrillo, a operadora construiu a maior rede hospitalar da cidade, com oito hospitais próprios (Sancta Maggiore) e quatro pronto-atendimentos, além de uma rede de medicina avançada e diagnóstica e núcleos de especialidades.

A operadora tem mensalidades na média de R$ 800, e todos os contratos são individuais, outra raridade no setor suplementar, em que 80% do mercado está ancorado nos contratos empresariais ou coletivos.

Os reajustes anuais também costumam ficar abaixo da média dos concorrentes. Em 2018, por exemplo, a Prevent Senior aplicou menos da metade do aumento definido pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) --6,5%, ante um reajuste permitido de 13,5%. Entre os planos coletivos, o aumento chegou a 20%.

A taxa de sinistralidade da empresa (relação entre quanto a empresa recebe e quanto ela gasta com serviços de saúde) é de 68%, uma das menores do mercado de saúde suplementar.

Especialistas do setor avaliam que uma das hipóteses para o sucesso do negócio da Prevent Senior foi apostar em investimentos na promoção de saúde e prevenção dos beneficiários. Ou seja, a empresa apostava em evitar que a doença ocorra ou se agrave, reduzindo com isso a internação de pacientes --um dos itens que mais pesam nas contas das operadoras.

Coincidência ou não, a promessa do do chamado 'kit Covid', usado pela Prevent, sempre foi a de impedir o desenvolvimento da doença --e até por isso passou a ser conhecido como tratamento precoce. Inúmeros estudos em todo o mundo, porém, mostraram que o kit não funciona.

Segundo um dossiê assinado por 15 médicos, profissionais eram coagidos a prescrever remédios como hidroxicloroquina sem consentimento de parentes dos pacientes e eram obrigados a trabalhar mesmo quando infectados com o coronavírus.

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