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Presidente de sindicato, ex-goleiro tem salário de R$ 50 mil e bônus milionário

O Globo
·2 minuto de leitura

À frente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo (Sapesp) desde 1993, o ex-goleiro Rinaldo Martorelli deu a si próprio, no ano passado, um bônus de R$ 3,5 milhões, além de receber salário mensal de R$ 50,6 mil. Os valores foram obtidos pelo ge, em reportagem publicada ontem, a partir de documentos obtidos em cartórios de São Paulo.

A reportagem obteve uma série de documentos — atas de assembleias, balanços, orçamentos, correspondências e alterações de estatuto — que contam como o ex-goleiro do Palmeiras assumiu o sindicato numa época de vacas magras e aproveitou o crescimento do futebol para alavancar seus ganhos. Por sete anos, Martorelli não ganhou salário até que, em janeiro de 2000, criou uma remuneração mensal para seu cargo. Em janeiro de 2005, o presidente contratou o filho, Guilherme Martorelli, como advogado do sindicato.

Em março de 2020, o sindicalista propôs que a assembleia da entidade aprovasse um bônus retroativo que, em valores estimados, chega a R$ 3,5 milhões. Ainda em 2020, Martorelli transformou o Sapesp em uma empresa de agenciamento de jogadores e intermediação de transferências, para que possa faturar a partir da negociação de direitos federativos e econômicos. Por causa disso, entrou em conflito com a CBF.

Aprovação dos ganhos

Os sindicatos de jogadores de futebol são responsáveis pela intermediação do direito de arena. Uma parte do dinheiro do futebol (5%) é retido e repassado para as entidades, que se responsabilizam por distribuir aos atletas. O Sapesp hoje acumula R$ 47 milhões em caixa.

Apesar de São Paulo ter mais de 8 mil jogadores profissionais de futebol, a aprovação de qualquer ato em assembleia do sindicato não requer quórum mínimo. Em 28 de março de 2000, Martorelli conseguiu aprovação de remuneração mensal de 30 salários mínimos com apenas 56 associados. Em 9 de março de 2020, aprovou bônus financeiro com aprovação de 78 atletas. Na prática, Martorelli conseguiu autorização para receber do sindicato uma indenização estimada pelo professor Luiz Fernando Aragão, da Universidade Candido Mendes, em cerca de R$ 3,5 milhões por “direitos trabalhistas”.

A conta apresentada por Martorelli incluía 27 anos de atuação e os quatro que faltavam para o fim de seu mandato, que vai até 2024. O bônus financeiro pago a ele em 2020 foi de R$ 3,48 milhões — dos quais R$ 1,99 milhão referente a férias e R$ 1,49 milhão em FGTS.

Ao ge, Martorelli justificou o pagamento como retorno pelos resultados:

— Quanto ao bônus, é prática de todo o setor corporativo quando os resultados financeiros são satisfatórios e, no meu caso, como o trabalho é vencedor e extremamente superavitário, vem ajustar minimamente uma parte do período de dedicação a representação da categoria em que, além de não ter nenhum retorno financeiro, ainda utilizava dos meus recursos para que o sindicato paulista pudesse se manter ativo.