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Presidente do Santander Brasil prevê desaceleração das concessões de crédito em 2022

·3 min de leitura
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 28.10.2019 - O presidente do Santander, Sergio Rial, durante jantar de gala da Câmara Espanhola 2019, no buffet Torres, em São Paulo. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 28.10.2019 - O presidente do Santander, Sergio Rial, durante jantar de gala da Câmara Espanhola 2019, no buffet Torres, em São Paulo. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Diante de um cenário econômico mais desafiador previsto para o país em 2022, o ritmo da concessão de crédito às pessoas físicas deve passar por alguma acomodação mais à frente.

A previsão é de Sérgio Rial, presidente do Santander Brasil. O executivo disse nesta quarta-feira (27) que espera por uma desaceleração no ritmo de crescimento da carteira de crédito de pessoas físicas do banco nos próximos meses.

O crescimento da carteira de crédito da pessoa física do banco foi de aproximadamente 21% no terceiro trimestre de 2021, na comparação anual. "Esse crescimento deve desacelerar em 2022", disse o executivo, acrescentando que parte do resultado observado no último trimestre se deve ao represamento da atividade econômica em 2020.

"[O crescimento da carteira de crédito às pessoas físicas] deve voltar para níveis de maior normalidade, que têm sido de um dígito alto, entre 9% e 12%", afirmou Rial em entrevista à imprensa para comentar sobre os resultados do terceiro trimestre.

Em um ambiente de taxa básica de juros de volta à casa dos dois dígitos, o crédito imobiliário deve ser um dos segmentos mais afetados negativamente, prevê o presidente do Santander, que em janeiro de 2022 passa o bastão para Mario Leão, que hoje lidera a área de corporate banking.

No terceiro trimestre, a categoria imobiliária foi um dos destaques de crescimento para o resultado da carteira de crédito do banco, com expansão de quase 30%.

Rial disse também que espera por momentos mais difíceis em termos de inadimplência. "Isso não significa que seja uma realidade inevitável, vai depender da qualidade de gestão [do banco]", afirmou.

Rial disse ainda ter a expectativa de que a alta da Selic em curso pelo BC reduza a alta volatilidade do dólar.

"O problema não é onde o câmbio está, o problema é a velocidade com que ele se move. Isso cria deslocamentos importantes para várias multinacionais que investiram no Brasil", afirmou, dizendo ainda que as variações bruscas no câmbio aumentam as incertezas e retroalimentam a inflação.

O executivo disse que apenas a política monetária não é suficiente para trazer o equilíbrio necessário para o quadro macroeconômico do país. O trabalho do Banco Central precisa vir acompanhado de uma política fiscal mais disciplinada, assinalou.

"O que eu gostaria é de um choque de política fiscal, não de política monetária".

Rial comentou ainda que o fato de a narrativa do governo mudar a todo tempo tem gerado grande dificuldade para o mercado traçar os próximos passos para a política econômica à frente.

"Me preocupa a questão da inconsistência da narrativa. É importante ter uma linha de narrativa reformista, mas que também tenha um viés de inclusão social".

Sobre a queda de 4,6% na receita de serviços de conta corrente por conta do crescimento da transacionalidade via Pix, Rial afirmou que, em sua avaliação, o novo instrumento teve um impacto, na média, positivo para a sociedade.

"Só que você captura [o cliente] de outras formas, a vinculação não passa simplesmente pelo TED e pela DOC", disse.

Tendo reportado uma média de cerca de 870 mil novos clientes por mês no terceiro trimestre, Rial afirmou que o banco projeta alcançar a marca de 1 milhão de novos clientes ao mês em novembro.​

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