Presidente da Petrobras atribui queda de lucro a preços defasados

Rio de Janeiro, 5 fev (EFE).- A presidente da Petrobras, María das Graças Foster, atribuiu nesta terça-feira a forte queda do lucro líquido da companhia no ano passado aos preços defasados dos combustíveis no Brasil, ao aumento das importações e à valorização do dólar em relação o real.

"A queda do lucro da empresa a seu menor nível desde 2004 pode ser explicada pelo aumento da importação dos derivados e à redução das margens de lucro pela comercialização devido aos preços defasados", afirmou Graça Foster em teleconferência com investidores.

A Petrobras anunciou ontem que seu lucro líquido em 2012 foi de R$ 21,182 bilhões, 36% a menos que no ano anterior e o pior resultado em 8 anos.

Graça Foster disse que os resultados da empresa foram impactados pela desvalorização do real nos custos da companhia, por um aumento não previsto de despesas extraordinárias, pelas "perdas expressivas" em processos judiciais e por uma menor produção em 2012.

Segundo a executiva, com uma menor produção por problemas técnicos e um forte aumento do consumo no Brasil, a empresa teve que elevar as importações de derivados de 749 milhões de barris diários em 2011 para 779 milhões de barris diários em 2012. O volume importado de gasolina saltou 112%.

As exportações da empresa, por sua vez, caíram 13%, para 548 milhões de barris diários, fazendo com o que o saldo comercial da Petrobras tenha subido de um déficit de 118 milhões de barris diários em 2011 para um déficit de 231 milhões de barris diários em 2012.

Graça Foster disse ainda que, apesar de o governo ter concedido três reajustes nos preços dos combustíveis no ano passado, a diferença entre o valor de venda no país ainda está muito abaixo do valor internacional do petróleo.

A presidente da companhia acrescentou que, pela primeira vez em mais de uma década, a produção de petróleo da Petrobras caiu: de 2,022 milhões de barris diários em 2011 a 1,980 milhão de barris diários em 2012.

Para essa redução contribuiu a paralisação das operações no campo de Frade devido a um vazamento, que reduziu a produção em 14 mil barris diários. O campo em questão é operado pela multinacional Chevron, mas tem participação da Petrobras.

A presidente da companhia acrescentou que, por paralisações programadas em alguns poços para manutenção, a produção própria da Petrobras caiu em 28.000 barris diários.

"O ano de 2012 foi muito difícil para a Petrobras, especialmente pela manutenção", afirmou a executiva ao justificar as paralisações de alguns poços por problemas técnicos.

Graça Foster assegurou que, após o aumento dos investimentos no ano passado e a realização do total das obras programadas, há boas perspectivas para a companhia "a médio e longo prazo".

Segundo a presidente, os novos reajustes nos preços dos combustíveis, a menor pressão do câmbio e a normalização da produção nos campos que estavam paralisados garantem um aumento da produção e das receitas para 2013. EFE

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