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Presidente do México prevê enfrentar a crise da covid-19 com uma fórmula "única no mundo"

ALFREDO ESTRELLA
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O presidente mexicano, Andrés Manuel Lopez Obrador, fala durante a apresentação do segundo relatório anual de seu governo no Palácio Nacional da Cidade do México em 1º de setembro de 2020.
O presidente mexicano, Andrés Manuel Lopez Obrador, fala durante a apresentação do segundo relatório anual de seu governo no Palácio Nacional da Cidade do México em 1º de setembro de 2020.

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, afirmou nesta terça-feira (1) que enfrentará a crise econômica provocada pela pandemia do coronavírus com uma fórmula "única no mundo", em que "primeiro se resgata o povo".

"Agora todos os apoios e créditos serão entregues de maneira direta para reativar a economia de baixo para cima, não priorizando as grandes empresas e bancos. Agora, pelo bem de todos, primeiro se resgata o povo", disse o presidente esquerdista em seu relatório anual do governo.

Afirmou que sete em cada 10 famílias mexicanas estão recebendo algum tipo de ajuda econômica estatal e que 100% das comunidades indígenas e de zonas rurais pobres foram beneficiadas pelo menos com um programa social.

"Eles (oposição) nos têm cobrado por não termos realizado um resgate econômico elitista para conter os efeitos da pandemia, mas é um motivo de orgulho poder dizer que ajudamos, por meio dos programas sociais, cerca de 23 milhões de famílias", afirmou López Obrador em seu discurso no palácio presidencial.

Desde o início da pandemia de covid-19, o governo mexicano resistiu em aplicar as chamadas políticas anticíclicas ou recorrer ao endividamento para enfrentar a pior crise econômica da história do país.

López Obrador taxou essas medidas de "neoliberais" e disse que só beneficiariam os setores mais abastados.

"Temos enfrentado a pandemia e vamos sair da crise econômica sem adquirir uma dívida adicional e sem destinar o dinheiro público a resgates (...) imorais, ou seja, para aqueles que não precisam de ajuda", argumentou.

- Crise econômica -

Em contraste com seu posicionamento político, López Obrador, eleito por seis anos até 2024, dispôs da aplicação de severas medidas de arrocho e austeridade salarial de funcionários e gastos do governo, permitindo assim um alcance maior dos programas sociais.

Também manteve suas obras de infraestrutura faraônicas, como uma refinaria e uma estação de trem de passageiros no sudeste do México, além de um novo aeroporto para a capital. 

Analistas e opositores concordam que estas decisões tem sido erradas e explicam que a grave deterioração da economia mexicana, a segunda maior da América Latina depois do Brasil, despencou 18,9% do PIB no segundo trimestre deste ano, a maior queda já registrada.

Apesar disso, López Obrador garantiu que o desastre econômico foi menor do que em países como a Espanha, França e Reino Unido e que "já estamos voltando a crescer".

"Prevíamos que a crise econômica causada pela pandemia seria passageira, disse que seria como um V, que cairíamos, mas logo em seguida saltaríamos, felizmente é isso que está acontecendo", completou. 

mas o PIB do México poderá sofrer uma queda de até 12,8% em 2020, segundo o mais recente prognóstico do Banco do México (central).

"A economia não vai bem nem está se recuperando. Não há nenhum plano para recuperar os mais de 15 milhões de empregos perdidos nem para sair da recessão econômica de 18%", analisou por sua vez Marko Cortés, presidente do partido opositor Ação Nacional (PAN), pelo Twitter.

- "Saindo à frente" -

Em relação à pandemia, López Obrador considerou que o México sairá dela com "um sistema de saúde melhor", devido à ação do governo de habilitar quase mil hospitais e contratar 47.000 novos profissionais da saúde.

O presidente destacou que o México será um dos fabricantes da vacina desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca em conjunto com a Universidade de Oxford, prevista para estar à disposição da população a partir de 2021 "de maneira universal e gratuita".

"Estamos enfrentando duas crises ao mesmo tempo, a sanitária e a econômica, e vamos sair à frente", afirmou.

Com 64.414 óbitos por covid-19, de acordo com dados oficiais, o México é o segundo país com mais falecimentos na América Latina, atrás apenas do Brasil.

Acadêmicos e jornalistas acreditam, contudo, que os números estão sendo subestimados devido à falta de testes de detecção do coronavírus, e que a realidade seria muito pior.

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