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Presidente interina da Bolívia anuncia diálogo com partido de Evo

Foto: AP Photo/Juan Karita

Jeanine Añez, presidente interina da Bolívia, anunciou nesta quinta-feira (14) que iniciou um diálogo com o partido MAS (Movimento ao Socialismo), de Evo Morales.

Evo renunciou ao cargo no domingo (10), após pressão de militares e de protestos nas ruas, e está asilado no México.

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"Estamos em uma mesa de diálogo. Acreditamos que é possível pacificar o país", disse Jerjes Justiniano, ministro da Presidência e um dos 11 nomes do gabinete nomeado por Añez.

Segundo ele, as conversas incluem representantes do novo governo e congressistas do MAS, que não confirmaram oficialmente essas negociações.

Um congressista do MAS disse à agência Reuters, sob anonimato, que o partido busca um acordo com seus oponentes para definir um governo de transição e que não planeja questionar a posse de Añez.

Antes, Añez disse que Evo não tem direito a disputar um quarto mandato, mas que seu partido, o MAS, será bem-vindo no pleito. A legenda tem maioria no Congresso atual. No entanto, cabe à Justiça eleitoral, e não à presidente, definir os candidatos aptos.

Ela não informou a data para a nova votação, mas a Constituição determina que o pleito ocorra em até 90 dias após a posse de um presidente interino, caso de Añez, que está nesta posição desde terça (12).

A nova líder foi reconhecida por Brasil, Estados Unidos, Colômbia, Reino Unido e Alemanha. A Rússia se disse disposta a trabalhar com ela, mas destacou sua interinidade. Outros países sul-americanos, como Peru e Argentina, não se posicionaram.

Exilado no México, Evo fez pedidos nas redes sociais por diálogo e pediu que agentes internacionais, como a ONU e o papa Francisco, ajudem a resolver a situação na Bolívia. A ONU disse que enviará um emissário ao país.

La Paz teve novos momentos de tensão nas ruas nesta quinta. Um grupo de milhares de partidários de Evo desceu de El Alto rumo à capital e gritaram frases como "Añez, golpista, fora do Palácio" e "Que Evo volte".

Na capital, o transporte público voltou a funcionar de forma parcial. Universidades estão com as aulas suspensas. O acesso à praça Murillo, onde fica a sede do governo, segue com acesso bloqueado pela polícia. O Congresso não realiza sessões desde terça-feira (12), quando Añez se empossou.

Ao menos dez pessoas foram mortas desde o início da crise política, após as eleições de 20 de outubro. Evo foi apontado como vencedor após uma apuração confusa, que foi considerada com problemas pela OEA (Organização dos Estados Americanos). Desde então, houve protestos nas ruas chamados pela oposição e por aliados de Evo.

***Da Folhapress