Presidente do Governo espanhol publica suas infomações fiscais

Madri, 9 fev (EFE).- O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, publicou suas informações fiscais neste sábado, nos quais consta que recebeu no ano passado como chefe do Executivo 49.893 euros após o pagamento dos correspondentes impostos.

Esta quantidade é aproximadamente uma terceira parte do que vinha recebendo desde 2004 como deputado por Madri e presidente do Partido Popular (PP), antes de chegar à frente do Executivo espanhol em 20 de dezembro de 2012.

Esses valores constam nas declarações fiscais publicadas no site oficial do Governo, que refletem que em 2004 Rajoy teve uma renda por seu trabalho de 147.620 euros líquidos, enquanto no ano passado recebeu 74.912 euros líquidos (100.100 dólares).

As declarações publicadas pela Presidência do Governo correspondem a alguns meses de 2003, ano no qual Rajoy abandonou o Governo de José María Aznar, quando foi ministro e vice-presidente, e os exercícios de 2004 a 2012, este último ano quando retornou o Palácio da Moncloa, sede do Executivo.

Segundo a nota que acompanha às declarações da renda, Rajoy recebeu, até se tornar presidente do Governo, seu salário como deputado por Madri, mais a retribuição como presidente do PP paga como despesa, declarada na íntegra.

Além de suas retribuições de trabalho, recebeu durante estes anos rendas adicionais por conta de seu patrimônio investido em dívida pública, valores e bens imobiliários.

Essas rendas e os bens que as geram foram divulgados com detalhes em suas declarações da renda e patrimônio, assim como em sua declaração de bens perante o Congresso dos Deputados.

No entanto, as informações fornecidas não incluem benefícios fiscais recebidos como membro do Congresso dos Deputados, já que são isentos de impostos.

Além de seus ingressos ordinários gerados por suas retribuições e a gestão de seu patrimônio, Mariano Rajoy só teve outros dois ingressos extraordinários.

O primeiro corresponde à indenização por ter sido vice-presidente do Governo, que recebeu durante parte de 2003, 2004 e parte de 2005, e a antecipação pela publicação do livro "En Confianza", cujo lucro líquido foi doado a várias organizações beneficentes.

A informação facilitada por Mariano Rajoy acontece depois que seu partido publicou suas contas nacionais desde 2008 a 2011, no meio do grave escândalo criado pela publicação de uma suposta contabilidade paralela e pagamentos de salários extras a sua cúpula.

Com esta publicação, os populares cumpriam um dos compromissos fixados após explodir o chamado "caso Bárcenas", a publicação de uma suposta contabilidade manuscrita de um ex-senador e ex-tesoreiro do PP com pagamentos em dinheiro negro a dirigentes do partido, incluindo o presidente do Governo, Mariano Rajoy.

O chefe do Executivo espanhol assegurou que essas acusações de que ele e outros dirigentes do partido tenham recebido retribuições paralelas à contabilidade oficial são falsas.

Luis Bárcenas é acusado desde 2009 no chamado "caso Gürtel" sobre corrupção, tráfico de influência e lavagem de capitais ligado supostamente a dirigentes do PP, que explodiu há quatro anos após uma operação coordenada pelo então juiz Baltasar Garzón. EFE

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