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Presidente da Eletrobras diz que empresa perde dinheiro a cada megawatt-hora produzida

Gabriela Ruddy
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Wilson Ferreira Júnior disse que a estatal precisa ganhar competitividade Leo Pinheiro/Valor A Eletrobras precisa ganhar competitividade e eficiência para voltar a ser forte nos leilões de energia e isso passa pelo corte de custos com pessoal, afirmou o presidente da empresa, Wilson Ferreira Júnior, ao defender a reestruturação em curso na companhia. “Nós perdemos dinheiro a cada megawatt-hora que produzimos. A agenda da companhia nos últimos quatro anos foi reduzir custo e o maior custo que temos é com pessoal. Certamente isso compromete o moral das pessoas, mas sinto hoje o moral muito diferente do que tínhamos lá atrás. As pessoas estão felizes, há perspectiva de reconhecimento do trabalho”, explicou Ferreira Junior, que participou nesta sexta-feira do Encontro Nacional do Setor Elétrico (Enase). O executivo afirmou que vislumbra a companhia operar com custos competitivos. Este mês, a Eletrobras passa a operar com 12.088 empregados, após o desligamento de 454 pessoas em setembro, como parte dos planos de demissão voluntária em curso nos últimos anos. Segundo Ferreira Júnior, a operação de aumento de capital da Eletrobras pode ser concluída no segundo semestre de 2021, caso o projeto de lei autorizando o processo seja aprovado na primeira metade do ano. Ele deu uma entrevista a jornalistas na versão online do evento. “A operação é simples, no nosso caso talvez leve três ou quatro meses”, acrescentou. Ferreira Júnior acredita que o novo projeto de lei para a privatização deve ser entregue ao Congresso após as eleições municipais de novembro. “O executivo avançou muito nas discussões com o Senado. Isso vai ajudar a determinar se [a tramitação] começa pelo Senado ou pela Câmara”, acrescentou o executivo, que ressaltou que a decisão será política. As discussões sobre a privatização da companhia estão em curso desde 2016. Durante o evento online, o economista Maílson da Nóbrega, defendeu a necessidade de maior liderança política na defesa por privatizações no Brasil. “Está na hora de questionar se ainda há espaço para empresa estatal no Brasil. O papel do líder político é contribuir para mudar visões equivocadas da sociedade, convencer que o melhor para a sociedade é a privatização da Eletrobras, não mantê-la como estatal”, defendeu. Para o ex-ministro de Minas e Energia e deputado federal Fernando Coelho Filho (DEM-PE), que também esteve presente no evento, a privatização da Eletrobras não deve ser mais votada no Congresso este ano, mas deve avançar em 2021. “Acho que o governo tem votos tanto na Câmara quanto no Senado para aprovar, mas uma privatização como esta precisa ser defendida, é preciso uma campanha corpo a corpo por parte dos ministros e do governo federal. Quando o governo priorizar, focar nela, temos amplas condições [de privatizar]”, afirmou. Coelho Filho acredita que o processo de capitalização da Eletrobras deve ser uma das próximas privatizações a avançar. De acordo com o ex-ministro, a liberação do Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira da venda de refinarias da Petrobras sem necessidade de aval prévio do Congresso deu uma boa sinalização para projetos de privatização. “A decisão do STF serviu como alento para que a gente não desista e continue persistindo na luta para capitalizar a Eletrobras”, explicou.