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Presidente da Argentina acredita que chegará a novo acordo com FMI

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Presidente argentino, Alberto Fernández
Presidente argentino, Alberto Fernández

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, mostrou-se confiante na obtenção de um novo acordo de crédito com o Fundo Monetário Internacional, em declarações nesta quinta-feira (8), enquanto uma missão do organismo multilateral faz uma visita exploratória a Buenos Aires. 

"Estamos trabalhando com o FMI neste momento, com um grupo técnico que chegou, e estou muito confiante de que encontraremos uma solução", disse o presidente em conferência online. 

A Argentina pretende renegociar o acordo stand-by de 57 bilhões de dólares que assinou com o FMI em 2018 para um novo programa que permite adiar os prazos de reembolso, até agora previstos para começar em setembro de 2021.

Deste acordo, o país recebeu 44 bilhões de dólares, já que Fernández renunciou às parcelas pendentes ao assumir a presidência em dezembro passado. 

"A única coisa que aconteceu com o dinheiro do FMI é que fugiu da Argentina", criticou Fernández. "Esses recursos foram usados para tentar sustentar um valor da moeda que dificilmente poderia ser alcançado", acrescentou. 

A Argentina sofreu uma queda acelerada das reservas internacionais, com uma perda de mais de 10 bilhões de dólares no ano passado, e embora as reservas brutas estejam em cerca de 41 bilhões de dólares, os especialistas estimam que as reservas líquidas mal chegam a 5 bilhões, apesar de um controle cambial instituído em 2019. 

Uma missão do FMI chegou a Buenos Aires na terça-feira e manteve várias reuniões com funcionários do governo, representantes sindicais e a comunidade empresarial. 

"Todos temos o mesmo desejo de que a Argentina cumpra suas obrigações sem atrasar os setores da sociedade que já realizaram esforços incomensuráveis", destacou Fernández. 

"Tivemos que pagar a dívida num prazo muito curto, algo impossível, porque a economia nos últimos três anos só registou quedas", disse, ressaltando que existe "uma responsabilidade partilhada entre quem pediu o dinheiro e quem confiou, porque não havia condições possíveis para cumprir tais compromissos". 

Com uma inflação anual de mais de 40% e em recessão desde 2018, a Argentina também viu as taxas de pobreza (40,9%) e desemprego (13,1%) dispararem em meio à pandemia de covid-19.

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