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Presidente do BB diz desavenças com Bolsonaro foram 'problema de comunicação'

ISABELA BOLZANI
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*ARQUIVO BRASÍLIA, DF, 05.05.2015: André Guilherme Brandão, que atualmente comanda o Banco do Brasil.  (Foto: Beto Barata/Folhapress)
*ARQUIVO BRASÍLIA, DF, 05.05.2015: André Guilherme Brandão, que atualmente comanda o Banco do Brasil. (Foto: Beto Barata/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente do Banco do Brasil, André Brandão, afirmou nesta sexta-feira (12) que as desavenças com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a respeito do plano de reestruturação do banco, anunciado em janeiro, foram provenientes de um problema de comunicação.

"O principal ponto que eu posso ressaltar é que o problema foi de comunicação. Anunciamos um fato relevante [comunicado aos acionistas] com várias coisas, inclusive com o fechamento de agências. E é muito razoável que não só o presidente, mas os prefeitos e os governadores também estivessem preocupados sobre como faríamos [essas mudanças]", afirmou Brandão durante entrevista com jornalistas.

O executivo também disse que ainda não teve oportunidade de conversar diretamente com Bolsonaro sobre as mudanças que pretende fazer, mas afirmou que já existe um diálogo entre o banco e o governo.

"Ainda não conversei diretamente com o presidente Jair Bolsonaro, mas acredito que ele tenha entendido o que estamos fazendo aqui e eu pretendo, com calma, explicar todos os nossos planos de eficiência assim que a agenda dele permitir. Aprendemos, aqui, que é preciso melhorar a comunicação direta com ele", disse Brandão.

Bolsonaro teria se irritado com Brandão depois de o banco ter anunciado um plano de reestruturação organizacional, que envolve o enceramento de 361 unidades, sendo 112 agências, e um PDV (plano de demissão voluntária) para cerca de 5.000 funcionários.

O prazo para adesão ao PDV do banco se encerrou em 5 de fevereiro. Houve o desligamento de 5.533 trabalhadores.

Na época, membros da equipe econômica relataram à reportagem que o anúncio da reestruturação gerou insatisfação no Palácio do Planalto, fazendo com que Bolsonaro cogitasse a demissão de Brandão.

Teriam saído em defesa da permanência do executivo no cargo o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o ministro Paulo Guedes (Economia).

Nesta sexta-feira, Brandão afirmou que a implementação das medidas de eficiência deve trazer uma redução recorrente de R$ 3 bilhões em despesas para o banco.

As despesas administrativas do BB atualmente giram em torno de R$ 31 bilhões por ano. A estimativa é de uma economia bruta de R$ 1 bilhão neste ano e de R$ 10 bilhões até 2025.

"São várias ações. No PDV, 80% das pessoas que aderiram já poderiam se aposentar ou estavam muito próximas da aposentadoria. Além disso, temos outros aspectos, como o plano de reforma de cargos e salários, flexibilização ao trabalho remoto, entre outros", afirmou Brandão.

De acordo com as estimativas do banco, o PDV deve trazer uma economia de mais de R$ 780 milhões ao BB. A reforma de cargos e salários, por sua vez, economizaria R$ 911 milhões.

Nesta semana, funcionários do banco decidiram paralisar suas atividades em reação a essa reestruturação. Segundo o BB, 88 unidades ficaram sem funcionar na quarta-feira (10). O banco tem mais de 5.000 agências e postos de atendimento.

Os grandes bancos sofreram impacto da pandemia do novo coronavírus e vêm fazendo ajustes no período. Durante a crise sanitária, instituições encerraram atividades de agências pelo país, reduzindo o atendimento presencial.