Preocupação com dólar limita queda dos juros futuros

O resultado decepcionante do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no terceiro trimestre deste ano ainda reverbera nas taxas futuras de juros nesta segunda-feira, dando continuidade ao movimento de queda verificado na última sexta-feira (30). A piora nas projeções para o crescimento econômico do País na Pesquisa Focus mostra apenas parte desse incômodo. Porém, as preocupações com a inflação tendem a conter o ímpeto deste movimento, em meio à percepção dos investidores de que a marca de R$ 2,10 para o câmbio passou de teto para piso. Já o exterior mais tranquilo deixa as atenções dos negócios concentradas no ambiente doméstico.

Às 9h30 na BM&FBovespa, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2014 tinha taxa de 7,17%, de 7,21% no ajuste de sexta-feira; o DI para janeiro de 2015 projetava taxa de 7,81%, de 7,83% no ajuste da sessão anterior. Entre os contratos com prazos mais longos, o vencimento para janeiro de 2017 estava em 8,69%, de 8,71% no ajuste ao final da semana passada.

Para o gerente de renda fixa da Leme Investimentos, Paulo Porém, chamam a atenção as expectativas inflacionárias, principalmente diante da arrancada do dólar em relação ao real. "A previsão é de que a inflação continue acelerando e também incomoda a mudança de intervalo para o dólar, no qual R$ 2,10 deixou de ser teto para virar suporte", avalia o profissional, para quem essa visão pode inibir um pouco a queda dos DIs, com o mercado aproveitando para corrigir "alguns exageros". O BC acaba de anunciar leilão de swap cambial em que ofertará US$ 2 bilhões para 2/1/2013.

Na coleta diária da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que simula a evolução do IPCA, o índice no critério ponta desacelerou, entre os dias 29 e 30 de novembro, "mas segue elevado", conforme destaca Petrassi. Já o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) encerrou novembro com alta de 0,45%, desacelerando-se ante o avanço de 0,48% registrado em outubro e ficando praticamente em linha com a mediana estimada após levantamento do AE Projeções, de 0,44%.

Já no exterior, as atenções seguem concentradas nas negociações entre a Casa Branca e o Congresso dos Estados Unidos sobre as formas de se evitar um abismo fiscal da economia. Com isso, fica relegada a reação ao programa de recompra de títulos da Grécia, anunciado nesta manhã, e aos dados que mostraram retomada da atividade econômica na China. No horário acima, o juro da T-note de 10 anos estava em 1,621%, de 1,617% na sessão anterior.

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