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Premier britânico pede desculpas 'sem reservas' por tiroteios de 1971 na Irlanda do Norte

·2 minuto de leitura
Uma fotografia divulgada pelo Parlamento do Reino Unido mostra o primeiro-ministro britânico Boris Johnson na Câmara dos Comuns, no centro de Londres, em 12 de maio de 2021

Em uma conversa com a primeira-ministra e a vice-primeira-ministra da Irlanda do Norte, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, se desculpou nesta quarta-feira (12) pelo papel do exército britânico, denunciado na véspera pelos tribunais, em uma série de tiroteios em 1971 durante o conflito na Irlanda do Norte que deixou dez inocentes mortos em Belfast.

O tribunal da Irlanda do Norte condenou na terça-feira o uso excessivo da força pelo exército britânico no tiroteio de Ballymurphy, a oeste de Belfast, entre 9 e 11 de agosto de 1971, no qual dez "pessoas totalmente inocentes" morreram.

Foi o auge do conflito separatista que durante três décadas, até 1998, opôs católicos republicanos e protestantes sindicalistas na região britânica.

Enviado em uma missão de manutenção da paz em 1969, o Exército Britânico teve um papel polêmico no conflito e é responsável, de acordo com o Índice Sutton compilado pela Universidade de Ulster, por cerca de 300 mortes durante as operações que terminaram oficialmente em 2007.

A juíza Siobhan Keegan decidiu na terça-feira que não havia "nenhuma evidência convincente ... para justificar os tiroteios" em Ballymurphy e que "os militares não forneceram nenhuma justificativa" para este uso "claramente desproporcional" da força.

O governo Johnson prometeu legislar para evitar mais julgamentos "humilhantes" contra os militares do Reino Unido por crimes cometidos durante o conflito da Irlanda do Norte, irritando o governo da vizinha República da Irlanda e as famílias das vítimas.

- Comissão da Verdade e da Reconciliação -

O primeiro-ministro reafirmou "a intenção do governo de conseguir um avanço na Irlanda do Norte que se concentre na reconciliação, satisfaça as vítimas do conflito e termine o ciclo de reinvestigações".

O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair pediu nesta quarta-feira a criação de uma Comissão da Verdade e Reconciliação, semelhante às da Colômbia e da África do Sul, para lidar com crimes cometidos durante o conflito na Irlanda do Norte, que deixou cerca de 3.500 mortos.

Na opinião do ex-líder trabalhista, cujo governo mediou a assinatura do Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa em 1998, tal comissão seria melhor do que levar os fatos à justiça.

O debate ocorre em um contexto de novas tensões na região reacendidas pelo Brexit, em particular pelo chamado "Protocolo da Irlanda do Norte" que Londres e Bruxelas negociaram fervorosamente para evitar a reimposição de uma fronteira com a vizinha República da Irlanda, país membro da UE.

Os sindicalistas da Irlanda do Norte ligados à sua filiação ao Reino Unido acreditam que essas disposições os separaram do resto do país e, em protesto, desencadearam distúrbios violentos por mais de dez noites consecutivas em abril.

acc/mb/jc/mvv

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