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Prejuízo no banco de investimento estraga ato final de Thiam no Credit Suisse

Por Brenna Hughes Neghaiwi
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Por Brenna Hughes Neghaiwi

ZURIQUE (Reuters) - O Credit Suisse divulgou seu melhor lucro anual em quase uma década nesta quinta-feira, mas os voláteis negócios de suas unidades de banco de investimentos e trading tiraram parte do brilho da despedida de Tidjane Thiam, que acaba de deixar a presidência-executiva.

Thiam sai após um escândalo de espionagem provocar uma revolta no conselho. Ele será substituído pelo veterano da empresa Thomas Gottstein.

Após uma retomada iniciada logo após sua chegada, Thiam disse a analistas que o segundo maior banco da Suíça continuaria a se beneficiar de estratégia em gestão de fortunas, mantendo as atividades de banco de investimento para apoiar seus negócios com clientes ricos.

"A descrição do meu cargo não é me tornar indispensável, é construir uma empresa de sucesso. E estamos em um bom lugar", afirmou ele a analistas.

Com 3,4 bilhões de francos suíços (3,5 bilhões de dólares), o lucro do banco em 2019 foi o melhor em quase uma década, mas um prejuízo maior do que o esperado em banco de investimento e a volatilidade nas unidades de mercado, onde os lucros se foram ruins, destaca os desafios que esperam o novo presidente.

Thiam passou boa parte de seus quatro anos e meio no Credit Suisse tentando colocar o banco em uma base mais estável, reduzindo custos e saindo de atividades bancárias de investimento mais arriscadas e com maior queima de capital.

Mas seu legado será definido pela polêmica que levou o Credit Suisse, um dos nomes mais famosos do setor bancário europeu, a admitir ter espionado dois ex-executivos.


DE CONSCIÊNCIA LIMPA

Encarando a imprensa pela última vez como presidente-executivo, Thiam disse que estava saindo de "consciência limpa", apesar de pedir desculpas pelo escândalo.

"Quando você lidera uma organização tão complexa, sempre há coisas que se poderia fazer melhor. Eu já expressei arrependimento por causa de incidentes recentes. Sinto muito."

Mesmo com a reestruturação realizada por Thiam, o Credit Suisse enfrenta um ambiente operacional difícil, com mais concorrentes agora focados em gestão de riquezas, além de taxas de juros baixas e a ameaça de investimento passivo.

O banco reduziu suas metas de rentabilidade para 2019 e 2020 em dezembro, culpando a queda nas negociações, taxas de juros negativas e tensões comerciais globais pela queda.

Sob o comando de Thiam, os custos operacionais caíram mais de 20%, enquanto a receita líquida encolheu quase 13% desde 2014, o último ano antes da chegada de Thiam em julho de 2015.

A captaçãos da área de gestão de fortunas de 23,1 bilhões de francos ficou bem abaixo das expectativas dos analistas, de 28,7 bilhões de francos em 2019.

A unidade de banco de investimento e mercado de capitais teve prejuízo de 162 milhões de francos, sendo 60 milhões de francos no quarto trimestre, devido a dificuldades da unidade de fusões e aquisições e baixos volumes de subscrição de títulos.

A divisão de negociação de ativos em mercados globais, que teve margens de lucro muito estreitas nos últimos anos, terminou o ano em alta, com alta de 73% no volume de negociação de títulos no trimestre e de 10% na negociação de ações.