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Prejuízo com shows adiados 'é incalculável', dizem produtores

São mais de dois meses de agenda cheia de shows internacionais, quase todos adiados para o segundo semestre. Um após outro, artistas que vinham ao Brasil em março e abril, e alguns em maio, tiveram suas apresentações transferidas. Tudo por conta da crise do coronavírus, que acabou com aglomerações de pessoas e atingiu fortemente o showbusiness.

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“O prejuízo é incalculável. Você manda o dinheiro, que é em dólar, para o exterior, e trabalha com uma margem de lucro de 15 a 20%, quando o show lota. Se é um show que já estava marcado, você já gastou em publicidade, já reservou passagens e hotel. Com o adiamento, vai ter novo gasto, e o,lucro cai para, talvez, uns 10%. Vai ter show que nem vai ser mais vantajoso fazer", diz Paulo Baron, da Top Link, produtora que teve três turnês adiadas neste período: das bandas UFO e The 69 Eyes, e do supergrupo Sons of Apollo.

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"Para piorar, no Brasil as produtoras pagam muitos impostos. Então você tem que fazer muito bem a conta para ver se vale a pena fazer o show", continua Baron.

“Fora que é inimaginável como isso prejudica profissionais terceirizados do setor. Há seguranças, camareiras, gente que opera a passagem de som e roadies, por exemplo, que só trabalham quando tem um evento. Vivem disso", conta o produtor.

Lucas Novaes, da Overload, concorda que ainda não dá para saber o tamanho do prejuízo, mas que ele é mesmo "incalculável".

"Os shows seriam agora e tiveram que ser adiados. Não sabemos ainda quantas pessoas vão devolver os ingressos, nem quando a situação vai normalizar. É muita incerteza", diz o produtor, que realizou o último evento em São Paulo antes da paralisação do setor: o Overload Beer Fest, no dia 15 de março, com a veterana banda punk americana D.R.I. como atração principal. Agora, teve também três turnês adiadas para o segundo semestre: das bandas Sonata Arctica, Riverside e Violator.

"Além disso, uma empresa pequena como a nossa depende de uma agenda movimentada, e este período parado afeta nosso fluxo de caixa", completa Gustavo Garcia, sócio da Overload.

Para evitar prejuízo ainda maior, as produtoras de shows contam com a possibilidade de que o público, de maneira geral, não devolva o ingresso. Até soltaram nas redes sociais, em conjunto, um pedido em relação a isso.

"No meu caso, só uma pessoa, por enquanto, pediu reembolso dos shows que vou fazer, mas porque não poderá ir na data remarcada. De certa forma, essas remarcações têm um lado positivo porque muita gente que não podia ir em um show na data anterior acaba comprando", avalia Paulo Baron.

Sobre quebras

"Eu sempre digo que toda produtora precisa trabalhar com uma reserva de dinheiro. Mas tem quem trabalhe apenas com o dinheiro do ingresso. Acho que tem que haver respeito com o consumidor. Então, por conta desses adiamentos todos, pode ser que alguma empresa quebre", continua Baron.

"Essa pandemia é o maior problema que o showbusiness já teve na história. Tenho falado com músicos veteranos pelo WhatsApp - de Scorpions e Creedence, por exemplo - e ninguém lembra de algo tão devastador para o setor", conclui o dono da Top Link.

A dimensão do problema tornou “cancelamento”, “adiamento” e “prejuízo” assuntos delicados dentro de muitas das produtoras de shows. Também procuradas, gigantes do setor, como a Live Nation (Metallica, Backstreet Boys, Eric Nam) e a T4F (que teve que adiar o Lollapalooza para dezembro), não quiseram falar.

Fim de festa

A propagação do vírus parece ter tido efeito ainda mais devastador no segmento das festas de música eletrônica, segundo produtores do gênero.

"Para começar, dependemos, em primeiro lugar, de um público que busca diversão e, para isso, precisa ter dinheiro e estar trabalhando para poder gastar", fala, via sua assessoria, Guilherme Acrizio, criador da festa Treta, que já chegou a reunir 20 mil pessoas, no Rio.

“Infelizmente, não vejo uma saída que não passe por uma grande ajuda financeira do governo. 2020 está perdido. Será um ano para enterrar mortos e contabilizar prejuízos", diz, em comunicado, Luciano Vianna, criador da festa Ploc, uma das mais tradicionais do Rio.

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