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Precisamos virar a página em programas de enfrentamento à pandemia, diz Campos Neto

·4 minuto de leitura
Presidente Campos Neto

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta segunda-feira que o país precisa virar a página em programas que adotou para o enfrentamento à pandemia, numa provável menção ao auxílio emergencial no momento em que uma nova extensão do benefício volta a ser discutida.

Ao participar de evento promovido pela Associação Comercial de São Paulo, Campos Neto reforçou em diversos momentos que o país precisa não apenas reforçar o comprometimento com a sustentabilidade das contas públicas, como também melhorar a narrativa sobre as reformas que foram realizadas até aqui a despeito da crise com o coronavírus.

Para o presidente do BC, inclusive, o sinal fiscal ajudará no combate à inflação.

Campos Neto ponderou que um plano de injeção de recursos pode ser concebido com a ideia de que ajudará a economia a crescer, mas pode na verdade ter o efeito contrário dependendo da situação das contas públicas.

Se acompanhada de uma queda de credibilidade, uma medida como essa iria, ao fim, afetar os preços de mercado e isso mais do que contrabalançaria o benefício de ter o dinheiro em circulação, defendeu ele.

"Então não é simplesmente entender que eu vou continuar injetando dinheiro na economia e que isso de fato vai ser a grande saída do ouro. Não existe isso. Ao contrário, você tem uma hora que você chega num ponto de inflexão que fazer mais significa menos", afirmou.

"Nesse momento a gente precisa ganhar credibilidade, a gente precisa comunicar o que vai ser o fiscal, qual é o plano de médio prazo e eu acho que é importante agora virar a página nesse tema que a gente tem que é a continuação do que foi feito em termos de programa de enfrentamento daqui até o fim do governo", acrescentou.

Campos Neto indicou que parte do combate à inflação também envolve o fiscal, já que quando a curva longa de juros cai --num reflexo da melhoria da percepção dos agentes sobre a saúde das contas públicas--, um mesmo movimento de política monetária gera mais efeito na economia.

"A credibilidade é o que faz a comunicação da política monetária, é o que me fez conseguir comunicar o que eu faço na parte curta da curva para todos os outros ingredientes. Então credibilidade é superimportante", disse.

"Fiscal é muito importante nesse momento para a gente ganhar credibilidade para poder aumentar a transmissão da política monetária", complementou.

DÓLAR E INFLAÇÃO

Também presente no evento, o assessor especial do Ministério da Economia Guilherme Afif relatou aos presentes ter conversado antes com Campos Neto, ao telefone, sobre a inflação e sobre o impacto da alta do dólar nos preços. Segundo Afif, o presidente do BC teria lhe respondido que "o remédio é fiscal e vacina".

"O fiscal nós estamos segurando a duras penas. Está duro, não está fácil, em véspera de eleição você segurar o fiscal não é fácil", admitiu Afif.

O assessor especial do ministro da Economia, Paulo Guedes, reforçou a necessidade de realização de uma força-tarefa para "transmissão de segurança" que prepare terreno para queda do dólar, o que teria impacto forte sobre a diminuição da inflação. Ele disse ainda acreditar que a moeda-norte não poderia estar acima de 4,30 reais, ante patamar atual de mais de 5,40 reais.

"Nos parece que o dólar está ligado ao barulho político, à insegurança que gera nossa política atual", afirmou Afif.

Lideranças da Câmara dos Deputados e governo já discutem a eventual prorrogação do auxílio emergencial, afirmaram à Reuters fontes com conhecimento das tratativas, que ocorrem em meio a dificuldades de o Executivo Federal encontrar uma solução orçamentária para criar o programa social substituto do Bolsa Família, o Auxílio Brasil.

Sobre o dólar, Campos Neto ponderou que a depreciação do real neste ano está na média e até "um pouquinho melhor" na comparação com outros países. No ano, o real caiu cerca de 4% frente à divisa norte-americana, contra uma desvalorização de quase 23% em 2021.

Campos Neto defendeu que a primeira onda de surpresa inflacionária ocorreu em 2020, sendo ligada a alimentos e ao comportamento do câmbio, com a moeda tendo se depreciado "muito" no ano passado.

COMBUSTÍVEIS

De acordo com o presidente do BC, o segundo choque na inflação, em 2021, foi basicamente por preços monitorados, com forte influência da alta na energia elétrica, que se propaga nas cadeias produtivas.

Quanto ao preço dos combustíveis, ele avaliou que eles não cederam no país mesmo quando houve estabilização dos preços internacionais, sendo impactados pela alta no frete e no etanol.

O presidente também disse ter sido "totalmente mal interpretado" quando fez comentário recente sobre a política de preços da Petrobras, destacando que o repasse verificado no preço de combustíveis de alguns países era mais lento que no caso brasileiro.

"Isso era num sentido positivo, de dizer que nós somos mais economia de mercado", disse. "Obviamente o Banco Central não comenta de política da Petrobras."

Campos Neto admitiu que os núcleos da inflação estão subindo "bem acima do desejado", com um elemento de persistência maior.

"Por isso nós temos sido mais incisivos nos juros", disse.

No fim de setembro, o BC subiu a Selic em 1 ponto percentual, ao patamar atual de 6,25% ao ano, e indicou que deve repetir a dose na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deste mês.

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