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Preços do gás sobem na Europa, mas Rússia não abre o registro

·3 minuto de leitura
Carro deixa prédio de escritórios da gigante russa do gás Gazprom em Moscou, 10 de setembro de 2021 (AFP/Alexander NEMENOV)

Os preços do gás não param de subir na Europa, mas a Rússia, principal fornecedor do Velho Continente, não abre o registro para, assim, manter sua posição de sócio inevitável.

A cada semana são registrados recordes e com a chegada do inverno, as altas vão repercutir no bolso dos consumidores.

O aumento se deve a um conjunto de fatores: recuperação econômica global, tensão no mercado de gás natural liquefeito (GNL), baixos níveis de armazenamento na Europa, obras e um incêndio, em agosto, nas infraestruturas russas que diminuiu a oferta.

"Os preços na Europa já tinham batido todos os recordes possíveis. E talvez em um futuro próximo voltem a bater", declarou na sexta Alexei Miller, diretor da Gazprom.

Na quarta, os preços chegaram a 79,31 euros (92,94 dólares) por megawatt/hora, um máximo histórico no mercado de referência europeu (TTF), após terem subido quase 30% desde o começo da semana.

Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, estes aumentos não terão efeito nos preços para o consumidor na Rússia.

Moscou se beneficia da situação e não tem a intenção de recorrer à sua capacidade de fornecimento adicional através da Ucrânia, o que contribui para o aumento de preços.

A mensagem russa é clara: o aumento das exportações para a Europa passará pelo polêmico gasoduto Nord Stream 2 até a Alemanha, que acaba de concluir após um acordo entre Berlim e Washington para evitar sanções econômicas.

"Não há dúvidas de que uma rápida entrada em serviço do Nord Stream 2 equilibrará consideravelmente os parâmetros de preços do gás natural na Europa", disse o porta-voz do Kremlin esta semana.

Mas para isso é necessário o aval do regulador alemão e muitos países europeus temem que Moscou use a dependência energética com fins políticos.

Segundo Dmitri Marinshenko, da agência de classificação de risco Fitch, a Rússia quer "demonstrar que a Europa enfrentará um mercado de gás mais restrito sem o Nord Stream 2". E, consequentemente, a preços mais altos.

O gasoduto não deve entrar em serviço antes de 2022 e o caminho não parece fácil.

O regulador alemão deve pedir a opinião da Comissão Europeia, um procedimento que pode se estender por quatro meses, e terá que levar em consideração o que disser.

"O Nord Stream 2 não é um projeto de interesse comum para a Europa", comentou à AFP um porta-voz da Comissão.

- Pedido de investigação -

"O objetivo da comissão é garantir que o Nord Stream 2 [...] funcione de forma transparente e não discriminatória" e "de acordo com o direito internacional e europeu sobre a energia", acrescentou.

Além do temor de uma maior dependência energética da Rússia, vários países europeus avaliam que o Nord Stream 2 trai os interesses de um aliado, a Ucrânia. Seu presidente, Volodimir Zelenski, o tachou de "arma geopolítica perigosa do Kremlin".

A Alemanha assegura ter negociado as salvaguardas necessárias, mas muitos não estão convencidos disso.

Alguns críticos da Rússia na Europa optaram por outra abordagem.

Quarenta eurodeputados, sobretudo do leste europeu, pediram à Comissão que investigue a explosão dos preços do gás, segundo a cópia de uma carta obtida pela AFP.

Eles denunciam a "recusa da Gazprom em atender às demandas dos consumidores europeus" e o consideram uma "manipulação deliberada do mercado".

A Gazprom assegura que cumpre com todas as suas obrigações e que tenta satisfazer às demandas.

bur-apo/alf/abx/erl/es/mvv

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