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Preço do iPhone sobe por causa do câmbio e custo de chips, afirma economista

A Apple lançou sua nova linha de iPhones na semana passada, com preços que chegam a R$ 15.499 no Brasil nas versões mais avançadas. De acordo com a economista da XP Tatiana Nogueira, estes valores subiram ao longo dos anos por conta de fatores internos e externos à produção dos dispositivos.

iPhone 14 Pro Max de 1 TB custa R$ 15.999 (Imagem: Divulgação/Apple)
iPhone 14 Pro Max de 1 TB custa R$ 15.999 (Imagem: Divulgação/Apple)

Ela aponta alguns custos principais que definem o preço dos smartphones: custos dos semicondutores e componentes eletrônicos, insumos de sustentação, impostos vigentes para cada país e taxa de câmbio em relação ao dólar. Variações nesses fatores fizeram com que o valor final tenha subido em 171%, em comparação com o iPhone 3G de 2008 — passando de R$ 2.800 para R$ 7.600 no modelo base de cada ano.

Pandemia afetou disponibilidade de chips

Preço de componentes aumentou durante a pandemia, após tendência de queda (Imagem: XP)
Preço de componentes aumentou durante a pandemia, após tendência de queda (Imagem: XP)

A conjuntura do mercado de semicondutores teve oscilações bastante grandes ao longo dos últimos meses, especialmente por conta da pandemia de covid-19. Com isso, a Apple teve uma expansão de até 25% no gasto com matéria-prima, invertendo uma tendência de queda que se seguia até o ano de 2019.

Alguns fatos explicam este aumento no preço final: primeiramente, as políticas de lockdown aumentaram a demanda por dispositivos eletrônicos, para aulas online e conferências, entre outros usos.

Ao lado da oferta, fábricas foram fechadas temporariamente por conta da crise sanitária, o que foi prejudicial por conta da intensa necessidade de mão de obra. A situação se agrava pelo fato de que a produção de semicondutores é muito concentrada, apenas com três empresas no planeta capazes de produzir chips de alta complexidade.

Impostos e câmbio

Dólar teve grande aumento na última década (Imagem: XP)
Dólar teve grande aumento na última década (Imagem: XP)

Outros fatores considerados por Tatiana Nogueira incluem os impostos nacionais. Impostos de competência federal, como os impostos sobre importação e IPI (Imposto sobre Produto Industrializado), chegam a 14,87%, enquanto o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço) é de 8,37% — isso sem contar os impostos estaduais, que ficam em uma média de 17%.

A volatilidade do câmbio também tem grande culpa no aumento dos preços, já que o valor do dólar passou de pouco menos de 2 reais, para mais de 5 reais desde 2008. Destaca-se o aumento no ano de 2020, quando a moeda subiu quase R$ 1,00 em relação ao nível anterior.

“A estabilidade no preço de venda oficial observada entre 2010 e 2016 não foi suficiente para evitar a variação positiva para o consumidor brasileiro, que teve o seu poder de compra em dólares deteriorado no período", concluiu Tatiana.

Fonte: Canaltech

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