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Preço elevado de rações muda rota de fluxos de comércio global

Isis Almeida, Michael Hirtzer e Kim Chipman
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Alimentar galinhas, porcos e vacas ficou tão caro no mundo todo que os custos mais altos alteram os fluxos de comércio global.

Com a alta dos preços dos grãos, a gigante de carne de frango americana Perdue Farms tomou uma decisão atípica: comprou soja, também produzida nos Estados Unidos, do rival Brasil. A BRF, maior produtora de carne de frango do Brasil, buscou milho na Argentina, enquanto fabricantes de rações na China e nos EUA têm comprado trigo.

Essas táticas e outras das principais empresas de alimentos do mundo destacam o grau de aperto do mercado global. Um indicador dos preços dos grãos atingiu o maior nível em oito anos, o que elevou o custo de alimentar animais e sinalizou que os preços mais altos da carne podem chegar aos consumidores. Ainda assim, executivos do setor dizem que o rali está longe do fim devido à necessidade de atender à maior demanda por carne em meio à recuperação mundial da pandemia.

“As indústrias de carne e frango ainda têm boas margens, então os preços mais altos ainda não reduziram o apetite”, disse Brian Williams, vice-presidente sênior do Macquarie Group, em Nova York. “No entanto, os preços do milho subiram o suficiente para que o trigo esteja sendo usado em algumas partes dos EUA.”

Pode parecer simples, mas mudar a dieta dos animais traz alguns riscos: o trigo não deve ser usado para o gado mais jovem, e as vacas podem ficar inchadas se comerem muito. Pesquisadores da Universidade Estadual da Dakota do Norte recomendam que o trigo constitua no máximo 15% da dieta de um animal quando introduzido. A cor da pele de uma ave também pode variar dependendo do que come: o frango alimentado com milho tem aparência amarelada, uma característica evitada em alguns países.

“Você não pode mudar a dieta do gado ou a dieta de qualquer animal de forma muito abrupta”, disse Tyler Beaver, fundador da corretora Beaf Cattle, no Arkansas. “Eles estagnam o crescimento quando você muda muito alguma coisa.”

A Perdue vai importar 31.450 toneladas de soja brasileira devido à menor oferta de suprimentos dos EUA, e o navio Four Turandot deixa o porto de Barcarena no mês que vem. A possibilidade de menor produção da safrinha de milho fez os preços dispararem no Brasil, abrindo oportunidade para que a BRF comprasse dois carregamentos da Argentina.

“Quando os preços sobem e a oferta é escassa, há uma tendência de sair de movimentos habituais”, disse Stephen Nicholson, analista sênior de grãos e sementes oleaginosas do Rabobank. “Importar soja para dentro dos EUA é um golpe psicológico no mercado e, às vezes, reduz os preços.”

A China tem comprado trigo de vários países com o aumento dos preços do milho, e o Brasil também está comprando, disse Juan Luciano, CEO da Archer-Daniels-Midland, uma das maiores tradings de commodities agrícolas do mundo. O milho americano para a China em breve sairá mais caro do que o trigo, disse em conferência sobre o balanço esta semana.

Nos EUA, alguns fabricantes de ração no sul das Grandes Planícies compraram trigo em março e abril, quando os preços estavam próximos aos do milho, disse Joe Nussmeier, corretor da Frontier Futures, em Minneapolis.

Fabricantes de ração e frigoríficos em breve poderão obter algum alívio. Embora as estimativas da área plantada dos EUA tenham desapontado os mercados no início deste ano, os preços subiram desde que a pesquisa foi realizada. Isso pode estimular a expansão das plantações.

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