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Preço das velas sobe até 58% no mercado; paralisação em refinaria da Petrobras desorganizou produção de parafina

·6 min de leitura

Como define o candomblecista Pai Paulo de Oxalá, as velas simbolizam a luz, o espírito e o calor da vida. Mas nem elas escaparam da escalada de preços dos produtos no país. Impondo sacrifícios aos fiéis mais devotos, o produto chegou a subir até 58%,em um ano, segundo estimativas dos fabricantes. Para os religiosos, o fogo da vela representa a grande fonte de energia, mas o componente que pressionou o preço do produto foi a parafina.

Uma interrupção na produção da matéria-prima pela única fabricante no Brasil, a Petrobras, desestabilizou o mercado. A estatal fabrica parafina em duas refinarias, a de Duque de Caxias (Reduc), no Rio, e a Landulpho Alves (Rlam), na Bahia. A unidade baiana era a principal responsável por abastecer o mercado nacional, mas está sendo vendida e paralisou as atividades no ano passado. A Petrobras diz que a previsão de retorno é ainda para o mês de outubro, porém sem data definida.

“Desde 2020, o mercado brasileiro tem sido atendido majoritariamente por produtos importados”, afirmou a Petrobras, em nota. Com isso, a participação média no mercado caiu de 41% para 26%, quando comparamos o ano de 2020 com o acumulado até agosto de 2021.

A solução para a indústria foi importar o insumo, mas o frete marítimo, especialmente da China e da Grécia, e os custos de importação fizeram o preço subir.

— O que a Petrobras fez desestabilizou o mercado de parafina. Todo o mercado de velas era calcado na Petrobras. O custo para o produtor chegou a 135% de aumento. Hoje, a parafina é comprada a R$ 13,50, o quilo. Em 2019, o quilo custava R$ 5,50. O impacto não foi repassado integralmente para o consumidor final, senão você acaba desestimulando o próprio consumo — explica Ciro Silveira dono da fábrica de velas Reza Forte e diretor do Sindicato de Sabão e Velas do Rio.

Para as religiões católica e as de matriz africana, a vela faz parte dos rituais sagrados.

Fome:

Adaptação nos rituais

A mãe de santo Adriana Santana, conhecida como Mãe Adriana de Oyá, de 40 anos, dona de um terreiro de umbanda, estima seus gastos mensais com velas em R$ 600. O local também recebe contribuição e doação de velas de fiéis:

— Está extremamente difícil manter nosso estoque cheio no terreiro — diz Adriana, que complementa: — Usamos velas em todos os rituais, e não só em dias de atividades marcadas no calendário litúrgico.

Adriana está precisando adaptar suas tradições e substituir alguns símbolos para dar conta dos aumentos. Ela explica que as velas que os filhos de santo acendiam no altar eram aquelas que tinham duração de sete horas, que são mais caras, mas agora utilizam as mais finas:

— Deixamos as de sete horas para os pontos de força da casa e os quartos de orixás. Geralmente, quando tem atividade, alguns filhos da casa trazem velas para o estoque.

Estoques estão garantidos para novembro

Apesar da desestabilização da cadeia produtiva e do aumento dos preços, Ciro Silveira, dono da fábrica de velas Reza Forte e diretor do Sindicato de Sabão e Velas do Rio de Janeiro (Sisaverj), diz que os estoques para abastecer o mercado para o Dia de Finados, principal data do ano para o setor, estão garantidos. A expectativa é de um aumento de 20% nas vendas no período, na comparação com o ano passado.

— Não vai faltar vela para Finados. A expectativa é de aumentar as vendas em relação ao ano passado por causa das liberações em relação à circulação de pessoas nos cemitérios — assegura Ciro, que reclama da falta de previsibilidade na produção de parafina: — A Petrobras é conhecida por produzir parafina de alta qualidade, e simplesmente eles fazem uma parada de produção nesse nível. A parafina importada tem mistura muito grande — diz o empresário.

As velas estão com preço maior, e a qualidade está péssima, avalia o balalorixá João Nunes Filho, conhecido como João de Oyá, de 53 anos.

—Temos que manter o sagrado aceso, e com a má qualidade da vela, temos que comprar mais unidades — conta.

Vela de 7 dias: de R$ 3,80 para R$ 6

Sócia da Velas Raio de Fogo, Pollyanna Rodrigues diz que a empresa pagava R$ 7,80 pelo quilo de parafina, em agosto de 2020. O carro-chefe da fábrica, a vela de sete dias, era vendida por R$ 3,80, a unidade. Um ano depois, a matéria-prima já custava R$ 15,45, uma alta de 98%. Com produção mensal de 15 toneladas, a empresa passou a cobrar R$ 6 pelo mesmo modelo de vela, 58% a mais do que um ano antes.

— Na falta do produto nacional, os distribuidores foram obrigados a buscar alternativas fora do país, na China e na Grécia, principalmente. Os impostos, taxa de importação e frete são muito elevados.

Embora a sua cotação não esteja presente nas aferições dos índices de preços ao consumidor e nos levantamentos de custos dos combustíveis, a parafina também é um derivado de petróleo, e segue preços internacionais.

Além disso, afirma a Petrobras, os fabricantes de velas “são responsáveis pelo transporte, comercialização do produto e, eventualmente, adequação da forma e embalagem”. A estatal diz ainda que o preço que o consumidor paga engloba diversas camadas, como custo do produto nacional e/ou importado, transporte, tributos e margem comercial.

Depoimento: ‘A incerteza compromete a produção’, diz Savio Bueno, especialista em Petróleo, Gás e Naval da Firjan

"A parafina é um derivado de petróleo e, com o início da pandemia de Covid-19, a Petrobras paralisou a produção da Rlam (Refinaria Landulpho Alves), a maior produtora do Brasil, bem maior do que a Reduc (Refinaria de Duque de Caxias). O volume que a Reduc passou a produzir não consegue atender ao mercado nacional, não foi suficiente para suprir a demanda do país. O aumento das importações tem pressionado os custos e a indústria, reportando aumento. Houve ainda a alta do dólar, os custos dos transportes, do frete, entre outros. Tudo isso impactou a indústria demandante de parafina. Para a cadeia produtiva, isso gera incerteza. A Petrobras está no processo de venda da Rlam (da Bahia) para um grupo árabe, e isso é incerteza dentro do mercado. Ninguém sabe qual vai ser a estratégia de abastecimento do mercado interno. Não se sabe se eles vão continuar produzindo parafina em unidades específicas. Além disso, quando se troca o fornecedor de sua principal matéria-prima, em uma situação em que você corre para evitar o desabastecimento, é preciso se adaptar a algum tipo de mudança. O mercado brasileiro era suprido pela Petrobras, acostumado a comprar da empresa com padrões estabelecidos, qualidade, e agora nem sempre a indústria vai ter conhecimento do produto. Tudo isso é um grande risco para a sobrevivência do negócio."

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