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Preço da carne cai pela primeira vez após 16 meses, mas alta acumulada ainda é de 22%

·3 min de leitura
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 17.09.2021 - Still de mão segurando bandeja de carne. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 17.09.2021 - Still de mão segurando bandeja de carne. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Depois de 16 meses consecutivos de alta, os preços das carnes caíram no país em outubro. É o que apontam os dados do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), conhecido como a prévia da inflação oficial.

Em outubro, os preços das carnes tiveram baixa de 0,31%, conforme a pesquisa. A última queda havia ocorrido em maio do ano passado (-1,33%). O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou os dados nesta terça-feira (26).

Apesar da trégua, as carnes ainda acumulam alta de 22,06% em 12 meses. Neste ano, de janeiro a outubro, a inflação prévia acumulada pelo grupo é de 10,27%.

Segundo o economista André Braz, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), a queda nos preços em outubro pode ser associada à suspensão das exportações das carnes brasileiras para a China.

A paralisação ocorreu após o registro de dois casos atípicos de vaca louca em setembro. Com a trégua na demanda chinesa, a tendência é de que uma quantidade maior de mercadorias seja destinada ao mercado interno, levando os preços para um patamar inferior.

"A gente vai ver uma queda mais intensa de acordo com a duração desse efeito de paralisação das exportações. A China não deve manter o embargo por muito tempo. Quanto maior for o tempo do embargo, maior é a probabilidade de a gente ver queda no preço", aponta Braz.

O economista pondera que, devido à alta acumulada ao longo da pandemia, o consumidor precisará de novas reduções nos preços para sentir um alívio no bolso.

"A taxa em 12 meses das carnes ainda está acima de 20%. Então, é preciso ter muitas quedas para que o consumidor volte a consumir carnes como antigamente", relata o pesquisador.

De 18 cortes que compõem o segmento de carnes no IPCA-15, 12 tiveram baixa nos preços em outubro. A maior queda foi a da capa de filé (-1,83%).

Seis cortes registraram alta nos preços. O maior avanço foi o da picanha (2,88%).

Durante a crise sanitária, a escalada inflacionária e o desemprego levaram mais pessoas a buscarem doações e até mesmo restos de carnes para alimentação.

Um desses casos ocorreu no Rio de Janeiro, onde um caminhão ficou conhecido por distribuir ossos para um grupo com fome. Cidades como Cuiabá (MT) também registraram filas em busca de restos de ossos de boi.

Em outubro, o IPCA-15 teve variação geral de 1,20%, a maior para o mês desde 1995 (1,34%). Com o novo resultado, a prévia da inflação atingiu 10,34% no acumulado de 12 meses.

Neste mês, os preços das carnes caíram em 6 das 11 capitais e regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE. As maiores reduções ocorreram em Goiânia (-1,63%), Porto Alegre (-1,54%) e Belém (-0,98%).

Na região metropolitana de São Paulo, a queda em outubro foi de 0,55%. Trata-se da primeira baixa depois de 16 meses de alta.

O economista Diego Pereira, da Apas (Associação Paulista de Supermercados), atribui a redução a dois fatores: a paralisação das exportações para a China e a recente trégua nos preços de commodities como o milho, usado em rações animais.

Cinco metrópoles tiveram alta nas carnes em outubro, conforme o IPCA-15. As principais elevações foram registradas em Brasília (1,28%), Salvador (1,25%) e Fortaleza (1,15%).

Em 12 meses, Porto Alegre é a capital com a maior inflação das carnes: 30,9%. Em seguida, aparecem Curitiba (29,16%), Brasília (24,89%) e São Paulo (23,72%).

De acordo com Pereira, o cenário é de novos recuos nos valores finais caso a paralisação das vendas para a China se mantenha. Por outro lado, pressões de custos internos, como a alta da energia elétrica, jogam contra uma redução mais acentuada nos preços para os consumidores.

"A gente tem esse duelo no cenário", define o economista.

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