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Preço de aço no Brasil segue defasado ante mercado internacional, diz presidente da Gerdau

Por Alberto Alerigi Jr.
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Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - Os preços do aço no Brasil ainda estão defasados em relação aos níveis do ano passado e aos praticados no mercado internacional, afirmou nesta quarta-feira o presidente da Gerdau, Gustavo Werneck.

O executivo afirmou durante teleconferência com jornalistas que a companhia segue "muito confiante" sobre a retomada da demanda por aços longos no Brasil. Segundo ele, isso é resultado da atividade intensa na construção civil residencial e também por compras no varejo motivadas por reformas, por exemplo, além de alguns projetos de infraestrutura.

"Já vemos retomada de obras importantes em metrôs de São Paulo e Fortaleza e vemos com otimismo o novo marco legal do saneamento", disse o executivo.

A empresa divulgou mais cedo resultado acima do esperado para o terceiro trimestre, impulsionada pelo desempenho no Brasil e na América do Sul, além de recuperação no mercado norte-americano. As ações, porém, recuavam 5,7%, em meio a um mau humor generalizado no mercado relacionado a preocupações com o avanço de novos casos de Covid-19 no mundo, além das incertezas antes da eleição nos Estados Unidos.

Apesar dos receios em torno de novas decretações de quarentena, Werneck afirmou que a Gerdau está "bastante otimista sobre a sustentação da demanda para o próximo ano".

O executivo disse que a Gerdau conseguiu atender todos os clientes no terceiro trimestre, apesar da força da retomada na de demanda por aço no Brasil. Segundo ele, a demanda por aço no Brasil vai crescer entre 6% e 8% em 2021.

"Em conversas com nossos clientes, a colocação de novos pedidos, lançamentos de novos empreendimentos imobiliários...isso tudo permite um sentimento muito positivo" sobre a perspectiva da demanda por aço no próximo ano, disse o presidente da Gerdau.

A companhia, que chegou a desligar alto-forno no Brasil em abril e reduzir atividade em outras operações, funciona atualmente com 80% de sua capacidade ocupada nas Américas, disse Werneck em teleconferência com analistas do setor.

Ele comentou ainda na ocasião que a Gerdau deve manter as margens obtidas no terceiro trimestre nos últimos três meses deste ano. No terceiro trimestre, a companhia teve margem Ebitda de 17,5%, Considerando apenas o Brasil, a margem foi de 25,1%.

Werneck rebateu criticas de que a indústria siderúrgica nacional está se aproveitando da retomada da demanda para aumentar sequencialmente seus preços, afirmando que os valores praticados no Brasil atualmente estão abaixo do nível internacional.

"O prêmio continua negativo, o que mostra que os preços de 2020 estão abaixo dos preços do mercado internacional", disse o executivo sem dar detalhes. "O preço do aço em 2020 ainda não retomou o nível de 2019. Na Gerdau, continuamos com preços defasados enquanto sofremos aumento de insumos e matéria-primas", disse Werneck ao ser questionado sobre a possibilidade de novos reajustes nos próximos meses.

Em meados do mês, executivos da rival CSN afirmaram que a companhia vai aumentar em 10% seus preços de aços planos e longos em novembro no Brasil após reajustes para setores como distribuidores de cerca de 40% de janeiro a agosto.