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Praticar 6 minutos diários de exercício intenso pode ajudar a evitar Alzheimer

Ao analisar os efeitos de exercícios físicos e jejuns na saúde cerebral, cientistas descobriram que 6 minutos diários de atividades intensivas podem prolongar a vida útil do cérebro humano, freando os avanços de doenças como o mal de Alzheimer e o de Parkinson. Isso é garantido pelas ações de uma proteína importante para a formação cerebral, a memória e o aprendizado, que pode ser ativada por corridas, ciclismo ou outros treinos curtos, porém intensos.

Seu nome é Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BNDF), responsável pela capacidade do órgão de formar novos caminhos e conexões entre as sinapses (também conhecido como neuroplasticidade) e sobrevivência dos neurônios. Ao estudar cobaias animais, os pesquisadores notaram um papel importante da proteína no estímulo formativo e armazenamento de memórias, no aprendizado e no desempenho cognitivo geral.

A BNDF é uma proteína importante para a cognição e a memória, ajudando nosso cérebro a preservar as funções e evitar doenças neurodegenerativas — como aumentar sua presença no órgão? (Imagem: Ermal Tahiri/Pixabay)
A BNDF é uma proteína importante para a cognição e a memória, ajudando nosso cérebro a preservar as funções e evitar doenças neurodegenerativas — como aumentar sua presença no órgão? (Imagem: Ermal Tahiri/Pixabay)

Aumentando proteínas naturalmente

Terapeuticamente, apesar de conhecido, o benefício do aumento de BNDF ainda não havia sido alcançado em humanos, já que as pesquisas só tiveram sucesso em animais até o momento. A alternativa da pesquisa mais recente, publicada na revista científica The Journal of Physiology, foi encontrar formas não-farmacológicas de explorar o potencial da proteína, aumentando sua presença de formas mais naturais, beneficiando principalmente cérebros mais velhos.

Foram testados os efeitos do exercício físico e do jejum intermitente na expressão da proteína, mais especificamente num comparativo entre exercícios leves, exercícios de alta intensidade, jejuns de 20 horas e uma combinação deste último com os diferentes tipos de atividade. Como exercício leve, foi utilizado o ciclismo de baixa intensidade por 90 minutos, enquanto o de alta intensidade foi caracterizado por 6 minutos de ciclismo pesado ou vigoroso.

Para verificar os efeitos dessas atividades, foram estudados 6 homens e 6 mulheres com idade entre 18 a 56 anos, igualando o sexo dos participantes para garantir uma representatividade populacional equilibrada. Também estão sendo estudados os efeitos de jejuns mais prolongados, com até 3 dias de duração, para verificar os exercícios melhoram os benefícios da restrição alimentar. Os resultados desse último teste, no entanto, ainda não foram divulgados.

Exercícios curtos, porém intensos, são os melhores para aumentar a presença de BNDF no cérebro e prevenir doenças como o mal de Alzheimer — uma boa opção é o ciclismo (Imagem: Halfpoint/Envato Elements)
Exercícios curtos, porém intensos, são os melhores para aumentar a presença de BNDF no cérebro e prevenir doenças como o mal de Alzheimer — uma boa opção é o ciclismo (Imagem: Halfpoint/Envato Elements)

Curto, porém intenso

O exercício mais bem-sucedido no aumento de BNDF foi o breve e de alta intensidade, tendo um efeito de 4 a 5 vezes maior do que o da atividade mais longa, que aumentou a proteína apenas moderadamente — de 366 pg/l−1 (picograma por litro) para 390 pg/l−1. O jejum de 20 horas não teve efeitos observáveis na concentração da substância no cérebro dos voluntários.

Os cientistas acreditam que a diferença seja causada por uma relação entre o metabolismo da glicose e a troca de substrato cerebral, que acontece quando o cérebro troca de uma fonte de combustível para outra, como forma de garantir o abastecimento energético eficiente do corpo. Um exemplo de troca seria o da glicose — principal fonte de energia do cérebro — para o lactato, feita durante exercícios físicos. Testes para confirmar a teoria, no entanto, ainda não foram feitos, então ela permanece, por enquanto, hipotética.

Outra ideia considera o papel das plaquetas no sangue, armazenadoras de altas concentrações de BNDF e categoria de células que aumenta em quantidade quando fazer exercícios físicos. Elas também sofrem mais influências das atividades corporais do que do jejum, ficando até 20% mais comuns durante uma sessão de ciclismo, por exemplo. Aos cientistas, resta aprofundar os estudos para revelar os segredos da relação entre a importante proteína e o nosso cérebro.

Fonte: Canaltech

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