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Próximo leilão de petróleo sob concessão do Brasil tem menor número de inscritos da história

·3 minuto de leitura
Edifício-sede da ANP, no Rio de Janeiro (RJ)

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Com reflexos da transição energética global, a próxima rodada de licitação de blocos exploratórios de petróleo e gás no Brasil teve apenas nove empresas inscritas, o menor número já registrado para uma licitação sob regime de concessão no país, ao incluir também áreas que estão em regiões de nova fronteira, com maior risco exploratório.

A lista, porém, conta com algumas das maiores petroleiras globais. Além da Petrobras, a ANP aprovou a participação de Chevron, Shell, TotalEnergies, Ecopetrol, Murphy, Karoon, Wintershall Dea e 3R.

A 17ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios sob regime de concessão ofertará 92 blocos com risco exploratório, com área total de 53,93 mil km², em 11 setores de elevado potencial e de nova fronteira de quatro bacias sedimentares marítimas brasileiras: Campos, Pelotas, Potiguar e Santos.

A rodada ocorre enquanto petroleiras em todo o mundo estão acelerando planos voltados para transição energética, sob pressão para que reduzam suas emissões. Além disso, o mundo ainda lida com incertezas relacionadas ao baque econômico provocado pela pandemia de Covid-19.

"Com certeza o apetite das empresas que já têm muitos ativos em desenvolvimento é menor. A transição é um fator de incerteza", afirmou à Reuters o professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Edmar de Almeida.

O professor destacou ainda a grande presença de áreas em novas fronteiras exploratórias, que reúnem menor conhecimento geológico e, portanto, mais risco. Elas também podem encontrar dificuldades para obter licenças para perfurações e sísmicas, devido a questionamentos sobre possíveis fragilidades ambientais.

"Na minha opinião o número reduzido está associado ao fato de que são áreas de maior risco geológico e as empresas estão tendo acesso a ativos exploratórios através da Rodada Permanente (da ANP), além da venda de ativos pela Petrobras", afirmou.

"De toda forma, é um sinal preocupante que deveria chamar atenção das autoridades energéticas."

Por outro lado, algumas das áreas em oferta podem conter reservas do pré-sal, segundo a ANP, embora estejam fora dos limites do polígono traçado pelo governo.

MUITO RISCO E PORTFÓLIOS CHEIOS

Magda Chambriard, ex-diretora-geral da ANP, apontou que a rodada poderia ser interessante para grandes petroleiras globais, devido aos blocos próximos ao polígono do pré-sal, nas bacias de Santos e Campos, embora estejam em áreas também pouco exploradas.

No entanto, "elas estão com portfólio cheio, tiveram dificuldades financeiras ano passado e estão começando a recobrar agora". Ela destacou que as gigantes petroleiras sofreram com a pandemia no ano passado, quando postergaram investimentos, e ainda não os retomaram plenamente.

Chambriard, hoje coordenadora de pesquisa de óleo e gás na Fundação Getulio Vargas (FGV), destacou ainda que a Bacia de Pelotas não tem descobertas realizadas e a de Potiguar está na margem equatorial em águas profundas, pouco exploradas e com histórico de dificuldade de licenciamento ambiental.

"Em resumo: muito risco para algo caro nesse momento difícil", afirmou.

Recentemente, um grupo de acionistas petroleiros da Petrobras chamado Anapetro enviou uma carta à empresa pedindo que não participe da 17ª Rodada, "dada a fragilidade ambiental e jurídica" de áreas em oferta.

Aldren Vernersbach, economista, pesquisador e consultor UFRJ/FGV também citou os impactos da pandemia na economia global como um dos fatores que afetaram o certame.

"A pandemia... ainda gera perturbações na economia, uma avaliação de aumento dos riscos e afeta a previsibilidade dos agentes econômicos. Esse cenário, consequentemente, leva a uma maior precaução quanto a maiores investimentos", disse Vernersbach.

"A grande oscilação no preço internacional do petróleo também é uma variável considerada no conjunto de escolhas das operadoras do setor."

O economista pontuou, entretanto, que "a transição energética ainda não pode ser considerada um fator determinante, nesse caso, uma vez que a economia mundial ainda é dependente de óleo e gás. Contribui, mas ainda existe um vasto mercado a ser atendido".

A ANP não respondeu imediatamente a pedido de comentários.

(Por Marta Nogueira)

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