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Próximo diretor da OMC, um africano ou um europeu?

O diretor-geral da OMC, Roberto Azevedo, em 10 de dezembro de 2019 em Genebra

A Organização Mundial do Comércio (OMC) iniciou nesta segunda-feira o procedimento para a nomeação de seu novo diretor-geral, uma vez que o atual, o brasileiro Roberto Azevêdo, deixará o cargo no final de agosto, um ano antes do previsto, em em meio à crise econômica global causada pela pandemia de COVID-19.

Os candidatos têm um mês para enviar suas inscrições, enquanto nomes africanos e europeus circulam nos meios de comunicação.

Poucas horas após a abertura do processo, a primeira candidatura formalmente apresentada foi a do mexicano Jesús Seade Kuri.

Jesús Seade Kuri, 73 anos, foi diretor-geral adjunto da OMC e ocupou altos cargos no Banco Mundial e no Fundo Monetário Internacional. Ele também tem nacionalidade libanesa.

Atualmente, ele é subsecretário da América do Norte no Ministério das Relações Exteriores do México e foi o principal negociador do acordo comercial entre os Estados Unidos, México e Canadá, o T-Mec.

No entanto, sem um sistema de rotação geográfica, a África pretende obter o cargo pela primeira vez, embora o continente ainda não tenha apresentado um candidato único.

Vários nomes foram mencionados, como o ex-diplomata egípcio Hamid Mamduh, que trabalhou por muito tempo na agência, também o beninense Eloi Lauru, atual embaixador de seu país na ONU em Genebra, e o queniano Amina Mohamed, ex-diplomata em Genebra, que foi o rival de Azevêdo em 2013.

Na Nigéria, as autoridades finalmente nomearam como candidata Ngozi Okonjo-Iweala, enquanto Yonov Frederick Agah, um dos vice-diretores da OMC, havia sido designado primeiro. Okonjo-Iweala, ex-ministra das Finanças e Relações Exteriores, atualmente preside a Aliança Global para Vacinas e Imunização (Gavi).

A União Africana (UA) planejava decidir um candidato único para julho, já que o processo de nomeação do próximo diretor da OMC começaria apenas em dezembro. Mas o anúncio, algumas semanas atrás, da saída antecipada de Azevêdo pegou todos de surpresa.

Embora diplomatas reconheçam que nunca houve um africano à frente da OMC, algumas vozes exigem que ele seja um representante dos países desenvolvidos, para que aconteça uma alternância depois de um brasileiro.

Segundo os meios de comunicação, vários europeus estariam interessados em assumir a posição.

Em Bruxelas, uma fonte confirmou à AFP que o irlandês Phil Hogan, comissário do Comércio Europeu desde o final de 2019 e da Agricultura entre 2014 e 2019, está se preparando para apresentar sua candidatura.

Outros nomes também circularam, como a ministra holandesa do Comércio, Sigrid Kaag, embora um porta-voz tenha dito à AFP "que ela não está disposta a se tornar diretora-geral da OMC".

A ministra das Relações Exteriores da Espanha, Arancha González, também foi mencionada. Mas "a ministra já explicou que está muito comprometida com a sua pasta", disse seu porta-voz à AFP.

Os europeus planejam discutir o assunto na terça-feira, assim como se apresentarão mais de uma candidatura.

Se desejam obter o cargo, também devem convencer outros países desenvolvidos, incluindo os Estados Unidos.

O sexto diretor-geral do órgão de comércio internacional anunciou em meados de maio que deixaria o cargo no final de agosto, um ano antes do planejado, por razões "familiares".

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