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Próxima crise global pode vir de sistema paralelo, não de bancos, diz Campos

Estevão Taiar

Para presidente do BC, eventual onda de instabilidade poderia A próxima crise financeira global deve vir não do balanço dos grandes bancos, mas de segmentos como o "cyberbanking", de operações financeiras na internet, e o "shadow banking", sistema paralelo às instituições do mercado. A avaliação é do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto.

“São coisas para as quais não olhamos”, disse em seminário sobre a independência dos bancos centrais, realizado nesta sexta-feira na Cidade do México. O evento foi transmitido pelo Banco Central do México.

Mesmo assim, Campos Neto classificou como positivas as mudanças tecnológicas pelas quais o setor financeiro vem passado. Ele disse que a tendência é que haja no mercado durante os próximos três anos mais mudanças do que houve na última década. As plataformas mais baseadas em tecnologia, por exemplo, poderão ter margens de lucro maiores do que os grandes bancos.

“É o momento de conectarmos independência [dos bancos centrais] com tecnologia”, afirmou.

Falando em inglês, o presidente da autoridade monetária também voltou a se mostrar otimista com a possibilidade de o projeto de autonomia do BC ser aprovado no Congresso ainda neste ano. De acordo com ele, a votação deve ser realizada “em algumas semanas”.

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Os benefícios, caso a aprovação se confirme, serão uma inflação “menor e mais estável” e maior facilidade “para influenciar os canais de política monetária”, disse.

Ele citou estudos que mostram que, “quando há percepção de que a independência [do BC] está diminuindo, [o prêmio de] risco começa a aumentar”. Além disso, destacou que não só a independência operacional, mas também a financeira e a administrativa são importantes para os bancos centrais de maneira geral.

Na palestra, ele ainda destacou como fator positivo o nível das reservas internacionais brasileiras, na casa dos 20% do Produto Interno Bruto (PIB).