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Príncipe Harry teria dificuldade de achar emprego no Rio

Ana Clara Veloso, Karen Garcia e Letycia Cardoso
Príncipe poderia ser professor, fazer concurso público ou empreender no Brasil, sugerem especialistas

Aos 35 anos, Henry Charles Albert David, mais conhecido como príncipe Harry, decidiu deixar a posição de membro sênior da família real inglesa para buscar sua independência financeira. Com um currículo digno da pompa que sua família tem, aliado ao seu networking e até às heranças a que tem direito, isso não deve ser difícil. Sorte a dele, pois se precisasse procurar um emprego, ao menos no Rio, não seria tão fácil.

Com base numa brincadeira feita pelo Grupo Capacitare, o EXTRA fez um currículo do Duque de Sussex e levou ontem ao Mercadão de Madureira, para saber dos comerciantes sobre as possibilidades de contratação. Se dependesse da gerente da loja Muvuca Mônica Rodrigues, de 23 anos, o príncipe não iria conquistar uma oportunidade.

— Ele está buscando sua independência financeira tarde. Acho que, depois de casar com uma mulher independente, ficou com vergonha de ser bancado pelo povo — opina: — Sem contar que o currículo dele não tem nada que o comércio aproveite. Acho melhor fazer um concurso para a área militar ou abrir um negócio.

De acordo com dados do IBGE do terceiro trimestre de 2019, o Estado do Rio de Janeiro tem 1.287 mil pessoas desocupadas e 698 mil que trabalham sem carteira de trabalho assinada. Para a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio de Janeiro (ABRH-RJ), Lucia Madeira, apesar de ser um ótimo candidato, o príncipe demoraria pelo menos seis meses para encontrar uma vaga no país, em posições de gerência ou, pela experiência com voluntariado, na área de responsabilidade social de empresas.

 

— As vagas a que ele poderia se candidatar demoram a aparecer, têm muita procura e, além disso, há aqui muitas pessoas qualificadas para esses cargos — diz.

Para conquistar posições de alto nível, a gerente de Inserção Profissional da Fundação Mudes, Sueli Fernandes, acredita que algumas habilidades comportamentais que o príncipe parece possuir poderiam ajudar, como a elegância no trato com as pessoas; o equilíbrio emocional, já que é piloto; e a habilidade em trabalhar em equipe, visto que é um esportista.

— Gostar de desafios também é positivo. Podemos compreender essa qualidade porque ele participou de duas missões no Afeganistão. Além disso, a adaptabilidade, que é fundamental para quem se dedica a trabalhos voluntários, visto que as condições nem sempre são as ideais — explica.

A analista em RH do Instituto Brasileiro Pró-Educação, Trabalho e Desenvolvimento (ISBET), Rafaela Albin, avalia que, pela formação e experiência, Harry poderia concorrer a uma vaga de professor de geografia em escolas bilíngues particulares, ganhando em torno de R$ 4 mil, ou tentar um concurso para Capitão da Forças Armadas, com salário de R$ 10 mil. Nesse caso, no entanto, demoraria pelo menos dois anos para ser aprovado. Mas, antes, deveria aprender o quinto idioma:

— Acho que a primeira coisa que deveria fazer é um curso de português.

Se nada disso desse certo, Lucia sugeriria empreender na área de turismo.

— Se ele abrisse um hotel, eu e muitas outras pessoas teríamos interesse em frequentar o local — brinca.

A rede de fast-food Burger King lançou na Argentina uma “carta” oferecendo empregos ao casal. Disponível no Instagram, o “documento” convida osdois a fazerem “como milhares pessoas e tomar seus primeiros passos na vida trabalhista com a gente”.

 

Marcelo Quental, dono da Quental Bazar, loja de ferramentas, não sabe se seria uma boa ideia contratar o príncipe para trabalhar na loja:

— Não vejo nele traquejo para vender. Acredito que ele deveria tentar conseguir uma vaga na área de segurança, que é para a qual ele foi treinado, que tem experiência. Convenhamos que ele não deve entender nada de casa e reparos para vender aqui.

Caio Rodrigues, responsável pela charutaria São Jorge, tem a mesma dúvida:

— Não tenho certeza se faria a contratação de Harry por causa de uns pontos da trajetória dele. Ele é meio rebelde, apesar desses títulos todos. E não sei se seria uma boa ideia contratar um homem que abdicou de uma posição tão alta assim de repente. Talvez quisesse ter o príncipe por perto só para ficar tirando foto com os clientes.

Já a Dona da Cordas Comércio, Albertina Jesus, afirma que faria a contratação sem pensar duas vezes.

— Mesmo que não tenha trabalhado no comércio antes, deve aprender rápido. Acredito que ele seria um funcionário disciplinado e que chega na hora, pela cultura e pela educação. O restante, se tiver força de vontade, ele aprende. Ele já fez muita coisa e tomou essa atitude corajosa — diz.

Márcia Uezo, Dona da Megadoce, acredita que, pelo posto dele, desde que nasceu, como parte da realeza, é alguém que sabe gerir relações e lidar com o público.

— É tudo que o comércio pede. A diplomacia dele seria muito útil aqui, porque é preciso ter muito jogo de cintura para atender os clientes — afirma.

Após ter se reunido ontem com vários integrantes da família real, a rainha Elizabeth II enviou um comunicado à imprensa britânica dizendo que aprova a escolha de seu neto, príncipe Harry, e da esposa dele, Meghan Markle, de se mudarem para o Canadá e realizarem outros tipos de trabalhos. No entanto, lamentou que preferia que eles continuassem atuando como membros da realeza em período integral.

"Minha família e eu apoiamos inteiramente o desejo de Harry e Meghan de criar uma nova vida como uma jovem família", disse a monarca em comunicado: "Harry e Meghan deixaram claro que não querem depender de fundos públicos em suas novas vidas”.

Na semana passada, o casal anunciou que deixaria a função de “membros seniores” da família real britânica para buscar independência financeira. A rainha, de 93 anos, não teria sido consultada antes do anúncio de Harry, sexto na ordem de sucessão ao trono.

Ainda foi informado nesta segunda-feira que foi acordado que haverá um período de transição em que os Sussexes passarão tempo no Canadá e no Reino Unido.

“Assuntos complexos de famílias precisam ser resolvidos, e há muito o que se fazer, mas eu pedi que decisões finais sejam tomadas nos próximos dias.”, completou Elizabeth II.

William e Harry divulgaram também uma nota oficial desmentindo um boato publicado por um jornal do Reino Unido de que os irmãos, duque de Sussex e o duque de Cambridge, haveriam brigado.

 

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