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Prêmios de aço no Brasil estão baixos, mas distribuidores não esperam novos reajustes

·3 minuto de leitura
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SÃO PAULO (Reuters) - Usinas siderúrgicas do Brasil implementaram em abril um terceiro aumento nos preços do aço plano desde o início do ano, mas o produto segue com cotação abaixo ou muito próxima da praticada no exterior por causa da volatilidade do câmbio e disparada nos valores internacionais da liga, afirmou nesta terça-feira a entidade que representa os distribuidores do material, Inda.

Desde o início do ano, os reajustes aos distribuidores somam cerca de 35%, com o mais recente de entre 10% a 12%, disse o presidente do Inda, Carlos Loureiro, em apresentação a jornalistas. No ano passado, os preços do aço ao segmento subiram cerca de 90%.

Segundo o presidente do Inda, o mercado nacional ainda está equalizando a oferta e a demanda por aço, mas os distribuidores adotaram estratégia de não mais manter estoques elevados. Com isso, deverão trabalhar nos próximos meses com suficiente para 2,5 a 3 meses de vendas, abaixo do nível histórico de 3,5 meses.

"...para não termos tanta necessidade de capital de giro, principalmente agora que o (preço) do aço subiu tanto", disse Loureiro. "Realmente estamos caminhando para regularizacao dos estoques", acrescentou.

A estratégia deve repercurtir na política de preços das usinas, que normalmente costumam elevar os preços do aço vendido aos distribuidores quando o chamado "prêmio", a diferença entre o preço do aço no Brasil e no exterior, é baixo.

Questionado sobre eventuais novos reajustes de preços ao setor, o presidente do Inda afirmou que "não tem nenhuma discussão neste momento de novo aumento(...) mas de uma certa maneira eles (usinas) estão preocupados porque, apesar desses aumentos melhorarem o resultado deles, diminuem o consumo".

"As usinas sabem da dificuldade dos clientes para repassarem este aumentos", acrescentou. No entanto, Loureiro avalia que se o dólar passar de 6 reais e o preço internacional seguir subindo, "provavelmente vamos ter algum (novo) aumento".

Ele citou dados mostrando que nesta semana a bobina a quente nos Estados Unidos foi vendida a 1.455 dólares a tonelada, valor "absolutamente impensável cinco, seis meses atrás".

Em março, os distribuidores de aços planos elevaram as vendas em 4,2% ante fevereiro e em 22,7% sobre mesmo mês do ano passado, para 325,4 mil toneladas.

Porém, para abril, em meio ao ainda difícil quadro da pandemia no país, em que governos municipais e estaduais estão decretando medidas de isolamento social, a expectativa do Inda é de queda de 5% nas vendas ante março.

O setor terminou o mês passado com estoque de 711,2 mil toneladas, equivalente a 2,2 meses de vendas. As importações, subiram quase 38% ante fevereiro e, sobre o fraco desempenho do ano passado, dispararam cerca de 140%, para 140,4 mil toneladas.

Na avaliação de Loureiro, as importações devem recuar nos próximos meses, uma vez que o abastecimento no mercado interno está sendo regularizado, ao mesmo tempo em que o prêmio de preço está reduzido a ponto de não compensar o risco da volatilidade do câmbio e de medidas de redução de incentivos às exportações de aço tomadas pela China.

"Quem trabalha com importação está entre a cruz e a caldeira", afirmou o presidente do Inda.

A entidade projeta que as vendas dos distribuidores de aços planos no Brasil em 2021 devem subir entre 5% a 8%.

(Por Alberto Alerigi Jr.; edição de Aluísio Alves)