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Prévia do PIB garante alívio ao Ibovespa; dólar tem leve queda

Ana Carolina Neira, Marcelo Osakabe, Victor Rezende e Marcelle Gutierrez

O resultado do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), espécie de termômetro do PIB nacional, ficou acima do esperado pelos analistas em novembro e dá o tom dos mercados financeiros nesta quinta-feira. Após sucessivos indicadores ruins de novembro indicarem uma desaceleração da recuperação econômica, o IBC-Br surpreendeu avançando 0,18% no mês, dando algum alento às operações na bolsa de valores e ajudando a manter o dólar perto da estabilidade.

Bolsa

Após alguns pregões marcados pela decepção com indicadores internos, com o IBC-Br o Ibovespa opera no campo positivo desde a abertura, subindo 0,35% às 13h, aos 116.821 pontos.

Ainda assim, o giro financeiro soma R$ 4,4 bilhões, um pouco abaixo da média para o horário, demonstrando que os investidores até buscam comprar ativos, mas seguem monitorando a dimensão da recuperação econômica com um comportamento mais moderado.

Para Gabriel Machado, analista da Necton, o clima que predomina no mercado ainda é positivo. "Houve uma decepção com os indicadores de novembro, mas o fato de que a prévia do PIB veio acima do esperado, ainda que com um número baixo, melhora um pouco o cenário. O mercado espera que os números de dezembro venham um pouco mais fortes, o que ainda justifica o otimismo", diz.

Em relatório, a XP Investimentos diz que o informe de hoje "corrobora a mensagem de recuperação gradual da atividade econômica brasileira", mas reforça que ele não é suficiente para compensar os resultados mais fracos divulgados recentemente. Assim, há mais probabilidade de que o Banco Central faça um corte de 0,25% na Selic no próximo mês.

Uma redução adicional seria, mais uma vez, benéfica para as ações mais ligadas ao ciclo doméstico, que sentem esse impacto com mais rapidez. Elas são, inclusive, um dos destaques positivos deste pregão, já que seguiram o caminho do Ibovespa na sessão de ontem e operaram em baixa diante dos dados mais fracos do setor.

Há pouco, B2W ON (1,20%), Lojas Renner ON (0,79%), Lojas Americanas PN (1,82%), Magazine Luiza ON (1,01%) e Via Varejo ON (1,99%) subiam, esta última sendo o papel mais negociado de todo o mercado à vista. Ações de consumo, como Carrefour ON (2,06%) e Pão de Açúcar PN (2,15%) também avançavam e figuravam entre as maiores altas do índice.

Já Marfrig ON (5,29%) volta a liderar os ganhos do Ibovespa pelo terceiro pregão seguido, ainda repercutindo as boas perspectivas para o setor frigorífico e para suas exportações.

Câmbio

O dólar comercial ensaiou uma reversão parcial dos ganhos da véspera, também influenciado pela divulgação do IBC-Br. No início da tarde, no entanto, o movimento foi limitado por indicadores nos Estados Unidos, que levaram a moeda americana a se fortalecer no exterior.

Por volta das 13h, a moeda americana operava em queda de 0,07%, aos R$ 4,1808, após tocar mínima intradiária de R$ 4,1608 no início da manhã. Os demais pares emergentes operavam sem direção única. No horário acima, o dólar avançava 0,50% contra o rublo russo e 0,36% frente ao rand sul-africano, mas cedia 0,26% ante o dólar neozelandês e 0,38% na comparação com a lira turca.

Juros

O IBC-Br de novembro impôs alta aos juros futuros na manhã desta quinta-feira, que, contudo, se mostrou limitada pela contínua percepção de que as pressões inflacionárias devem se manter controladas em 2020. De acordo com a FGV, o IPC-S desacelerou para 0,48% na segunda medição de janeiro, após ter marcado 0,57% na medição anterior.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 avançava de 4,39% no ajuste anterior para 4,44%; a do DI para janeiro de 2022 ia de 4,99% para 5,06%; a do DI para janeiro de 2023 subia de 5,56% para 5,63%; e a do DI para janeiro de 2025 passava de 6,32% para 6,36%.