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Poupança tem saque líquido recorde de R$22 bi em agosto, diz BC

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA (Reuters) - A caderneta de poupança registrou saque líquido de 22,016 bilhões de reais em agosto, em um cenário de alta dos juros que reduz a competitividade da aplicação frente a outros investimentos, mostraram dados do Banco Central nesta terça-feira.

O volume de retiradas ficou muito acima do resultado negativo de 5,468 bilhões de reais no mesmo mês de 2021 e representa o maior saque líquido nominal para todos os meses da série histórica do Banco Central, iniciada em 1995.

O rombo recorde foi registrado mesmo diante dos pagamentos pelo governo federal de benefícios sociais turbinados neste ano eleitoral. Repasses como o adicional do Auxílio Brasil, o complemento do Auxílio Gás e benefícios a caminhoneiros e taxistas foram iniciados em agosto.

Do total do mês, os saques superaram os depósitos no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) no valor de 19,697 bilhões de reais. Já na poupança rural, as saídas líquidas foram de 2,318 bilhões de reais.

Com o resultado, a caderneta de poupança acumula um saque líquido de 85,168 bilhões de reais entre janeiro e agosto deste ano, também recorde da série. No mesmo período de 2021, o dado estava negativo em 15,630 bilhões de reais.

Depois de ingressos recordes em 2020, com o pagamento do auxílio emergencial a famílias de baixa renda na pandemia e o nível baixo da taxa básica de juros, o fluxo de recursos na poupança apresentou uma reversão de sentido em 2021, tendência que ganhou força este ano.

A retirada de repasses sociais emergenciais e as altas sucessivas de juros pelo BC para segurar a inflação levaram a poupança a acumular retiradas significativas.

Com os juros básicos da economia acima de 8,5% ao ano (a Selic está agora em 13,75%), os depósitos na poupança voltaram a ter rendimento fixo de 0,5%, ou 6,17% ao ano nominal, acrescido da taxa referencial (TR), que é próxima de zero. Isso deixa a remuneração mais baixa do que outros investimentos de renda fixa e inferior à inflação, que acumula alta próxima a 10% em 12 meses.