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Poupança pode compensar fim do auxílio emergencial e manter consumo, diz Bradesco

ISABELA BOLZANI
·3 minuto de leitura
*ARQUIVO* OSASCO SP Brasil 08 03 2017 - Fernando Honorato Barbosa. (Foto: Jorge Araujo/Folhapress)
*ARQUIVO* OSASCO SP Brasil 08 03 2017 - Fernando Honorato Barbosa. (Foto: Jorge Araujo/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato, afirmou nesta terça-feira (10) que a possível queda no consumo com o fim do auxílio emergencial, em dezembro, poderá ser compensada pela poupança das famílias.

Segundo o economista, o auxílio cumpriu um papel muito relevante para sustentar o consumo ao longo de 2020. Para ele, apesar de a expectativa do Bradesco ser de uma redução de 4,5% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano, houve um aumento recorde da massa salarial (soma de todos os salários pagos aos trabalhadores no período).

"Haverá uma redução dessa massa no primeiro trimestre de 2021, com o fim do auxílio emergencial. Ainda assim, além do fato de que muitas das políticas continuarão estimulando a economia, como crédito, taxas de juros e a prorrogação de alguns programas, a poupança formada pelas famílias devem compensar o consumo perdido com o auxílio", afirmou Honorato no Bradesco Day, evento promovido pelo banco.

Segundo o economista, o acúmulo de depósitos bancários saiu de aproximadamente R$ 2,4 trilhões em janeiro deste ano para R$ 3,2 trilhões em outubro -um aumento de R$ 800 bilhões equivalente a um crescimento de 33,3%.

A expectativa, segundo Honorato, é que tanto as empresas quanto as famílias saquem dessa poupança formada quando houver o fim do auxílio, compensando o consumo perdido.

"Por isso, não imaginamos que haja uma grande queda do PIB no primeiro trimestre [de 2021]. Tem, sem dúvida, uma desaceleração da economia ao longo do primeiro semestre do ano que vem, mas nada que produza uma recessão sequer parecida com a que vimos neste ano", disse.

Outro ponto levantado pelo economista-chefe do Bradesco é a recuperação de diversos setores da economia em quase todas as regiões do país, que começam a voltar aos níveis pré-pandemia.

Dados do Bradesco apontam que indústria brasileira já retomou esses níveis, enquanto o comércio está 2% acima do que crescia antes da pandemia. No comércio, o avanço chega a ser 18% maior na região Norte, na mesma comparação. A única exceção é para o setor de serviços.

Segundo Honorato, essa retomada também trouxe desequilíbrios setoriais.

"Temos visto que a utilização da capacidade instalada na indústria está acima da média história, voltando a níveis de 2014. Isso significa que a indústria precisa acelerar a produção para atender a demanda que tem. Os indicadores mostram grande queda dos estoques na indústria e de atraso no prazo de entrega de fornecedores. Isso tem comunicação com os níveis de inflação", afirmou o economista.

Ainda segundo os dados do banco, o mesmo acontece com o comércio, que também registra estoques nos níveis mais baixos em mais de dez anos e um prazo de entrega com o dobro de atraso no que o observado no período da greve dos caminhoneiros, em 2018.

"Isso conta muito a respeito da continuidade do processo de crescimento. Se tem estoque para ser reposto e atraso para ser atendido, a indústria e comércio precisam seguir produzindo. Isso pode gerar algumas pressões inflacionárias. Imaginamos também que um pedaço desse risco inflacionário vai se concentrar no consumidor", afirmou Honorato.

Ele disse, ainda, que, nesse cenário, o Banco Central também deve começar a normalizar as taxas básicas de juros a partir de 2021, elevando a Selic de 2% para 3,5% em meados do ano que vem.

"Além disso, a dívida vai se aproximar do PIB e exigir um conjunto de ações para que ela seja manejável. Temos condição. É só preciso manter o teto de gastos e uma agenda mínima de reformas. Não precisa nem ser uma agenda super ambiciosa, basta que sejamos capazes de entregar resultados", afirmou o economista-chefe do Bradesco.