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Postura da NYSE sobre exclusão de telcos chinesas gera confusão

Annie Massa, Saleha Mohsin, Jennifer Jacobs e Robert Schmidt
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Quase dois meses após o presidente Donald Trump bloquear investimentos dos Estados Unidos em empresas vinculadas a militares da China, em Wall Street predomina a confusão sobre como interpretar a ordem. Uma certeza: poupadores estão perdendo bilhões.

A Bolsa de Valores de Nova York pode mudar de ideia, pela segunda vez, sobre a deslistagem de três grandes empresas de telecomunicações chinesas depois de consultar autoridades sobre como interpretar uma ordem executiva emitida por Trump em 12 de novembro, de acordo com pessoas a par do assunto. Os advogados disseram que o drama, que sacode os mercados nos últimos dias, expõe as ambiguidades das instruções do governo.

O trio de empresas - China Mobile, China Telecom e China Unicom Hong Kong - perdeu mais de US$ 30 bilhões em valor de mercado nas semanas finais de 2020 com o recuo de investidores após a ordem de Trump. Perderam outros US$ 12 bilhões com o impacto da queda dos recibos de depósito americanos na segunda-feira depois da decisão da NYSE de excluir as empresas da bolsa. Então, na terça-feira, as ações subiram com o anúncio da NYSE sobre o cancelamento da deslistagem. E perderam força novamente depois de reportagem da Bloomberg segundo a qual a bolsa pode seguir em frente com o plano de exclusão.

“É um processo mal administrado”, disse Shang-Jin Wei, professor de finanças e negócios chineses na Columbia Business School. “A intenção era penalizar essas empresas e penalizar o governo chinês”, disse. “O problema é que isso acaba penalizando investidores nos EUA.”

Gestores de ativos e patrimônio que atendem a poupadores nos EUA estão entre os principais investidores de ADRs das três empresas, segundo dados compilados pela Bloomberg. Oscilações repentinas de preços podem dar vantagem para operadores de alta velocidade e hedge funds capazes de reagir rapidamente. A China Mobile foi uma das primeiras gigantes do país asiático a venderem ações nos Estados Unidos.

A nova reversão da NYSE segue um turbilhão de 18 horas. A decisão de manter as listagens foi uma surpresa e gerou confusão entre autoridades dos departamentos do Tesouro e de Estado e do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, além de provocar exasperação que atingiu os mais altos escalões do governo Trump, segundo pessoas a par do assunto que pediram para não serem identificadas.

Descontentamento

O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, entrou na disputa na terça-feira. Ele ligou para o presidente da NYSE, Stacey Cunningham, para manifestar descontentamento com a decisão da bolsa de permitir que as três empresas continuassem listadas, segundo as pessoas. Também envolvidos na resposta do governo estavam o chefe de gabinete, Mark Meadows, o conselheiro de Segurança Nacional, Robert O’Brien, e diretor do Conselho Econômico Nacional, Larry Kudlow.

Porta-vozes da NYSE e do Tesouro não quiseram comentar. O Ministério de Relações Exteriores da China disse na quarta-feira que os EUA mudam de posição “o tempo todo” e, ao visar empresas estrangeiras listadas nos EUA, revelam a “natureza arbitrária, caprichosa e incerta” de suas regras e regulamentos.

“O comportamento dos EUA determinará sua imagem global, se é honesta e confiável”, disse a porta-voz do ministério, Hua Chunying, em Pequim.

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