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Postos de combustível falam em racionamento seletivo com aumento da defasagem de preços

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***ARQUIVO*** SÃO PAULO, , 27/04/2022, BRASIL - Postos de combustível falam em racionamento seletivo com aumento da defasagem de preços

(Foto Rivaldo Gomes/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, , 27/04/2022, BRASIL - Postos de combustível falam em racionamento seletivo com aumento da defasagem de preços (Foto Rivaldo Gomes/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A elevada defasagem entre os preços internos dos combustíveis e as cotações internacionais elevou a pressão do setor por reajustes da Petrobras, principalmente no caso do diesel, que se descolou das cotações internacionais do petróleo nas últimas semanas.

Distribuidoras e importadores alertam para o risco de restrições no abastecimento em regiões que têm maior dependência de importações, como o Nordeste. Para os postos, está havendo um "racionamento seletivo" na oferta dos produtos.

Segundo dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), nesta quinta-feira (5) o preço médio do diesel nas refinarias brasileiras estava R$ 1,59 abaixo da paridade de importação, conceito que simula quanto custaria trazer o produto dos Estados Unidos.

Na gasolina, a defasagem é menor, de R$ 0,80 por litro. Ainda assim, é o maior valor desde o dia 10 de março, um dia antes dos mega-aumentos promovidos pela Petrobras para acompanhar a alta do petróleo após o início da Guerra da Ucrânia.

Nos 56 dias após os últimos reajustes, a defasagem no preço do diesel subiu R$ 1,34 por litro. Na gasolina, a alta acumulada é de R$ 0,49 por litro. Segundo a entidade, há hoje defasagem em todos os polos de importação de combustíveis no país.

A Petrobras diz que não repassa imediatamente ao consumidor as volatilidades do mercado internacional, mas o longo período de defasagens preocupa o mercado, já que parte da demanda de gasolina e diesel no país é atendida por produtos importados.

As importações são feitas pela Petrobras, por grandes distribuidoras de combustíveis e por empresas independentes, que fornecem também para distribuidoras de menor porte.

Os dois primeiros grupos têm capacidade para diluir as perdas em seus altos volumes de venda, mas as empresas menores alegam que prejuízos na compra de produtos importados podem levar a graves dificuldades financeiras.

O presidente da Fecombustíveis (Federação do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes), Paulo Miranda, diz que a situação provoca um "racionamento seletivo" no setor, ao reduzir o poder de competição das empresas menores.

"Aquelas distribuidoras pequenas, que têm compra muito menor das refinarias, não conseguem fazer a importação, pagando muito mais caro e misturando com produtos que compram da Petrobras aqui", diz o presidente da Fecombustíveis. "Então acabam alijadas do processo."

O mercado espera que a Petrobras tome a decisão por reajustes em breve. "Considerando o modelo vigente de governança, acreditamos que um aumento de preço pode ocorrer no curto prazo", escreveram, em relatório, os analistas Bruno Amorim, João Frizo e Guilherme Costa Martins, do Goldman Sachs.

Eles avaliam que as elevadas margens de refino ainda garantem bom resultado à estatal na venda de combustíveis, mas que a elevada defasagem pode desencorajar importadores a complementar a oferta dos produtos.

Entre 2016 e 2021, dizem, cerca de 22% do mercado brasileiro de diesel foi atendido com produtos importados. Na gasolina, a importação respondeu, em média, por 13% da oferta nesse período.

Os últimos reajustes promovidos pela Petrobras levaram à demissão do segundo presidente da companhia durante o governo Bolsonaro, o general Joaquim Silva e Luna, dando início a um conturbado processo de troca de comando na estatal.

Seu substituto, José Mauro Coelho, assumiu defendendo a política de preços dos combustíveis. Um dos argumentos usados por ele foi justamente o risco de desabastecimento do mercado por falta de importações privadas dos produtos.

A escalada dos preços dos combustíveis tem sido um dos principais alvos de preocupação do presidente Jair Bolsonaro (PL) e o maior fator de pressão sobre o IPCA, o indicador oficial de inflação do país, nos últimos meses.

Um novo reajuste com a pré-campanha traria novos problemas para a imagem do governo e, por isso, o mercado vê o cenário como um teste para a independência do comando da Petrobras para executar sua estratégia.

Em eleições anteriores, a estatal já foi chamada a colaborar com o governo: em 2002, suspendeu reajustes do gás de botijão após críticas do então candidato governista, José Serra; em 2014, teve diversos pedidos de reajustes negados pelo então ministro da Fazenda, Guido Mantega.

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