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'Posso até morrer, mas não para essa doença', diz idosa de 96 anos vacinada em SP

João de Mari
·4 minuto de leitura
Dona Isola, de 96 anos, tomou a primeira dose da vacina contra a Covid-19 (Foto: Arquivo pessoal)
Dona Isola, de 96 anos, tomou a primeira dose da vacina contra a Covid-19 (Foto: Arquivo pessoal)

Quando viu no noticiário que a Prefeitura de São Paulo havia antecipado o início da imunização contra a Covid-19 de idosos com mais de 90 anos para esta sexta-feira (5), a cabeleireira Janete Balan Ribeiro, de 59 anos, correu para avisar sua mãe.

Prontamente, a aposentada Isola Cypriano Balan respondeu: “Vou trocar de roupa”. Em seguida, mãe e filha seguiram até a Unidade Básica de Saúde (UBS) Moinho Velho, na Zona Sul de São Paulo, onde a idosa de 96 anos recebeu a primeira dose da vacina contra o coronavírus.

“Graças a Deus chegou [a primeira dose], vai vir mais uma e o importante é se vacinar. A vacina dói um pouco porque a agulha vai no braço, mas, como eu já fiz cirurgias, para mim isso aí foi tranquilo. Eu peço demais para que todo mundo não sofra mais”, disse dona Isola após receber a primeira dose do imunizante — a segunda dose está marcada para o próximo dia 26.

A previsão incial do governo estadual era de que a vacinação desta faixa etária começasse em todo o estado apenas na segunda-feira (8). Mas, de acordo com a gestão municipal, a antecipação foi possível porque todas as UBSs da capital paulista já foram abastecidas com doses suficientes para atender este público.

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Ao chegar no posto de vacinação, dona Isola aguardou dentro do carro, pois haviam algumas pessoas no local e ela temia uma possível aglomeração. “Foi tudo tranquilo, porque as pessoas que estavam lá não iriam se vacinar. Aí minha filha foi me buscar no carro e eu desci andando sozinha, bonitinha”, afirmou.

Janete conta que já havia feito o pré-cadastro da mãe no site Vacina Já, e, por este motivo, todo processo demorou cerca de 10 minutos.

“A enfermeira me perguntou se eu tinha feito o pré-cadastro, me mostrou a dose, me mostrou o vidro escrito Covid-19, falou que era a CoronaVac e que o vidro foi aberto às 07h33 e que tinha validade até às 15h33. Minha mãe tomou às 8h30. Tiramos uma foto e foi isso. Super rápido”, disse.

A inscrição não é obrigatória e não funciona como agendamento, porém, segundo o governo paulista, a ferramenta deve agilizar o atendimento nos locais de vacinação e evitar a formação de filas e aglomerações.

11 netos, 13 bisnetos e 3 trinetos

Moradora do Moinho Velho, bairro do distrito do Sacomã, há 74 anos, dona Isola conta que já vivenciou muitas crises sanitárias ao longo das décadas. No entanto, segundo ela, nada foi parecido ao coronavírus. “Igual a essa eu nunca vi, fiquei apavorada porque parecia que o mundo iria acabar”, relatou.

Para a idosa, que tem cinco filhos, 11 netos, 13 bisnetos e, desde o ano passado, mais três trinetos, a pior parte da pandemia foi ficar longe da família, principalmente dos novos integrantes que ela ainda não chegou a conhecer.

“Foi bem triste. Eu, por causa da idade, não podia sair de casa — e não posso ainda. Quando alguém passa em casa para resolver assuntos com minha filha, eu corrio para dentro do quarto me esconder. Eu tenho muito medo”.

‘Nunca duvidei da vacina’

Isola, de 96 anos, recebeu a vacina nesta sexta-feira (Foto: Arquivo pessoal)
Isola, de 96 anos, recebeu a vacina nesta sexta-feira (Foto: Arquivo pessoal)

A filha conta que apesar da felicidade da mãe em ter se imunizado contra a Covid-19, a aposentada se questionou se “terá vacina para todo mundo”. “Ela diz que não queria vacina só para ela. Mas eu expliquei que uma hora todos irão se vacinar e ela entendeu que agora é a vez dela por pertencer ao grupo prioritário”, disse.

Outro motivo para a aposentada se aborrecer, segundo ela mesma, é ouvir quem falar mal da vacina, desmentindo sua eficácia e desinformando parte da população, como tem feito o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus apoiadores.

“Eu diria para as pessoas terem mais cuidado, usar a máscara, porque eu coloco a máscara até dentro de casa. Gripezinha não existe, porque essa pandemia está forte. Sobre a vacina, eu só tenho a dizer que ela é ótima. Eu não via a hora de me vacinar e todos me ligavam perguntando sobre a vacina. Essa vacina vai salvar o mundo”, disse Isola, confiante.

Ao final da entrevista, a aposentava faz questão de relembrar que nasceu em uma fazenda em Serra Negra, no interior de São Paulo, e que viveu uma vida sem “televisão e rádio” até os 20 anos de idade. Mas, a idosa entende que as mudanças e avanços do mundo onde ela vive há quase um século são necessárias e garante que ainda contará muitas histórias, sobretudo sobre o conavírus.

Com o álcool em gel sempre por perto, como ela mesma diz, e aprendendo a utilizar o celular para “ir” às teleconsultas médicas, dona Isola profetiza: “Eu posso até morrer, mas não dessa doença”.