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A cruz que te carrega, Portuguesa campeã há 100 anos

Mauro Beting
·4 minuto de leitura
Vamos à Lusa!

Campeã da Copa Paulista. Ainda é quase nada. Mas pode ser um recomeço de tudo para tantos.

A cruz que te carrega. A união que te fez.

A união entre portugueses e ingleses garantiu a vitória na Batalha de Aljubarrota, em 1385, consolidando a ascensão da família de Avis, em um 14 de agosto sempre tão caro. A união de inteligências e ousadias faria as caravelas portuguesas há mais de 500 anos redescobrirem o Leste e descobrirem o Oeste. A união de cinco clubes fez a Portuguesa nascer há 100 anos sob a proteção da cruz da família real. A união com o Mackenzie fez a Lusa entrar logo na cancha. Em 1922, a união de engenho e coragem de Sacadura Cabral e Gago Coutinho fez a dupla de aviadores portugueses cruzarem o Atlântico pela primeira vez.

A união com sua gente ergueu o campo da Portuguesa no Cambuci, comprou o terreno no Ipiranga, adquiriu o Canindé, levantou a Ilha da Madeira, construiu o estádio lusitano em 1972.

A união de Muca a Simão sob o comando de Brandão fez o melhor time do Rio e São Paulo em 1952 - e desde 1920 em rubro-verde. A união de pés de obra qualificados ganhou invicta a Europa e a América nos anos 1950, em três viagens desbravadoras desse filho querido da união Brasil-Portugal. A união de forças e esforços que fez de cada venda de craques lusitanos um pedaço de terra, tijolo, areia e cimento dos novos campos.

União não é acaso na história do clube. É a causa da existência da Portuguesa.

União também para se erguer dos não poucos Tombos. Como aquele na Zona da Mata mineira, em 2016. Momento de degradação pelo degredo forçado do torcedor mais bravo que existe. O que luta. O que Lusa! Amor sem divisão, que só se multiplica mesmo com a canetada que derruba, na cafajestada armada por gente de fora do estádio e de dentro do esgoto. Escroques que não conspurcam o berço de craques.

A Portuguesa é destino. Porto como era antes do Canindé ilhado pelas águas. É o norte da bússola de quem precisa se encontrar. Se alguém for pro Norte da capital vai ver um monte de camisas vermelhas e verdes. Gente que às vezes vibra por nada que sempre é tudo. Se alguém for para o Norte e enxergar uma arquibancada sem ninguém do lado do rio cheio, saiba que não são muitos, mas suam e sabem como tantos.

Força a eles! Forca aos que não torcem, que distorcem, destronam, detonam, desistem.

Fortes são os que são só Lusa. Não o segundo time do coração de muitos. Mas o único de muitos mais que outros tantos. Não torcem para ganharem campeonatos. Torcem para serem o que são – gente que ama sem pedir nada. Como o verdadeiro e incondicional amor.

Aquele alegre pela justa e merecida conquista da Copa Paulista. A que dá um lugar na Série D em 2021. Um campeonato nacional que a Portuguesa não disputa desde 2017. E que vem como prêmio à dedicação e seriedade da nova administração que tenta reconstruir o clube. A sua Portuguesa.

Você é Lusa por ser Portuguesa. Entidade que é identidade. Referência de luta. Reverência de clube. É menos difícil ser o que muitos dizem que são. É mais amor ser o que nem todos querem ou conseguem ser.

Quem vai ao norte da capital vai ver gente que pode estar perdida, mas não vencida. Vai ver em cada canto de cimento amado gente que foi Lusa sem ter sido do novo Canindé: no passe de Djalma, no drible de Julinho, no gol de Ivair, no gole do goleador máximo Pinga, um brinde a Leivinha! No Independência tem Enéas tabelando com Badeco, Edu na resenha com Jorginho, Zé Roberto na boa com Rodrigo Fabri, Capitão conduzindo a nau que jamais soçobra. Dener fintado o Brasil. A sua gente fitando o infinito a ser conquistado. Como os mares nunca dantes navegados. Como os continentes invictos das Fitas Azuis de tão rubro-verdes.

Lusa que batalha, que Aljubarrota, que ajuda, que arrebata, que abarrota. Que perde o rei em Alcácer-Quibir, mas não a majestade, não a realeza, não a nobreza. Não perde porque a Portuguesa aprendeu a ganhar o que está no estatuto e no espírito há cem anos: a união de pessoas jurídicas e físicas para criar a melhor pessoa do seu mundo.

A Cruz que te carrega, ó Portuguesa. O clube nasceu para unir. Assim ele seguirá vivo.

O centenário é hora H da união. Dessa reunião que sempre foi pra fazer cem. Para fazer com você.

Por tu, Portuguesa.

Por vocês, lusitanos.

Vamos à luta, ó campeões.

Vamos ser Lusa.