Portugal rejeita oferta de Efromovich pela TAP e atrasa venda da empresa

Lisboa, 20 dez (EFE).- O governo português rejeitou nesta quinta-feira a oferta do magnata colombiano-brasileiro Germán Efromofich pela companhia aérea TAP, cujo processo de privatização fica suspenso, por enquanto, porque essa foi a única proposta apresentada.

A decisão adotada pelo Executivo luso foi anunciada após o Conselho de Ministros realizado nesta quinta, no qual foi abordado o tema da venda da companhia aérea dentro do programa de privatizações estipulado com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) como uma das condições para o resgate financeiro do país.

O governo disse que a oferta representava um depósito compulsório de uma valor aproximado de 340 milhões de euros e justificou que sua postura de não "cumprir alguns requisitos exigidos" na folha de condições do concurso público, no qual o Synergy Group de Efromovich foi o único candidato, fez com que a proposta não fosse aceita.

"Não foi possível assegurar os meios financeiros que garantiriam um aumento de capital e o refinanciamento da empresa e assim, permitir a confirmação do êxito da operação", explicou aos jornalistas a secretária de Estado do Tesouro, Maria Albuquerque.

A proposta do Synergy - grupo que engloba várias companhias aéreas, como a colombiana Avianca e as equatorianas VIP e Aerogal -, assumiria a dívida de TAP, que ronda os 500 milhões de euros, e enfrenta outras dificuldades.

O governo português ressaltou que com a decisão, este processo de privatização está "encerrado", mas que mantém a intenção de vender a companhia "em um momento oportuno e sob condições ainda não definidas".

"O Executivo ponderará a estratégia de venda levando em conta as circunstâncias do mercado e os compromissos adquiridos com as instituições internacionais em troca de seu resgate financeiro", detalhou Albuquerque.

A privatização da companhia aérea lusa gerou muita polêmica em Portugal por contar apenas com uma oferta, além disso considerada baixa, e o principal partido da oposição, o socialista, pediu a anulação do processo.

Portugal se vê obrigado a se desfazer das poucas empresas em mãos do Estado para cumprir as condições do resgate de 78 bilhões de euros que obteve em abril de 2011.

As medidas de austeridade e saneamento das finanças públicas adotadas desde então pelo Executivo do conservador Pedro Passos Coelho incluíram a venda dos maiores ativos do Estado, as empresas de energia REN e EDP, que foram adquiridas por empresas chinesas.

Portugal também se desfez de sua participação na companhia petrolífera Galp e só falta vender, se tratando de empresas importantes, a empresa ANA, que é especializada em gerir infra-estruturas aeroportuárias.

Esta sociedade tem várias ofertas formais de compra, incluindo uma da Corporação América da Argentina, e sua privatização poderia ser efetuada na próxima semana por um valor que gira em torno de 1,5 bilhão de euros.

No caso da TAP, o Synergy Group foi o único interessado que entregou, no último dia 7, uma oferta pela companhia aérea, que transportou a quase 10 milhões de passageiros em 2011, seu recorde histórico.

A TAP é a operadora de referência entre Europa e Brasil, onde conta com dez voos diretos para grandes cidades brasileiras desde Lisboa.

A empresa aérea também tem várias conexões com cidades espanholas e europeias e voa a vários países da África.

Durante os nove primeiros meses do ano, acumulou perdas de 50 milhões de euros, por conta dos negativos resultados obtidos entre janeiro e junho. EFE

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