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Por que você nunca deve lavar o frango na água da torneira?

Na cozinha, é esperado que cada pessoa tenha suas próprias manias e hábitos, mas existe um limite entre o que é aceitável e não na preparação dos alimentos. De acordo com especialistas e agências internacionais de saúde, lavar o frango na água da torneira está entre aquilo que nunca deve ser feito. Isso porque há risco de contaminação e, consequentemente, pode provocar casos de intoxicação alimentar.

No Reino Unido, a Agência de Normas Alimentares do Reino Unido (FSA) adverte que lavar o frango na água corrente pode, potencialmente, espalhar bactérias pela cozinha e para outros utensílios domésticos. Apesar do alerta, este é um hábito comum entre os britânicos: cerca de 44% da população lava carnes crua antes do preparo.

Frango cru não deve ser lavado na água da torneira, já que pode contaminar outras superfícies com bactérias (Imagem: Composter-box/Envato)
Frango cru não deve ser lavado na água da torneira, já que pode contaminar outras superfícies com bactérias (Imagem: Composter-box/Envato)

No Brasil, o índice é bastante similar: cerca de 46,3% das pessoas alegam ter como hábito de lavar carnes na pia. É o que aponta um estudo realizado, em 2021, pelo Centro de Pesquisas em Alimentos — também chamado Food Research Center (FoRC) — da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP.

Por que não se deve lavar o frango na torneira?

A questão não é que água vai contaminar o frango ou algo do tipo. Na verdade, são as bactérias que normalmente estão presentes na carne crua que podem se disseminar pela cozinha.

Por exemplo: quando se coloca a peça do frango para lavar, invariavelmente parte da água espirra e pode cair algumas gotículas em uma faca. Mais tarde, a mesma faca é usada novamente e pode contaminar outro alimento que não será cozido ou ainda alguma pessoa próxima.

“Lavar carnes, especialmente a de frango, na pia da cozinha pode espalhar potenciais patógenos no ambiente, representando uma prática de risco”, reforça o coordenador da pesquisa sobre o hábito entre brasileiros e integrante do FoRC, Uelinton Manoel Pinto, em entrevista ao Jornal da USP.

Riscos da bactéria Campylobacter

Para ser mais específico sobre as bactérias que podem se disseminar pela cozinha, a agência britânica destaca os risco do gênero Campylobacter. Como regra, o agente infeccioso morre com as altas temperaturas do cozimento.

Sem o aquecimento, pode ser transmitido através de superfícies contaminadas, como utensílios de cozinha e até pelas mãos. Pessoas infectadas tendem a apresentar sintomas de infecção alimentar, como diarreia, dor abdominal, febre, náuseas e vômitos. Este é o quadro, por exemplo, de enterite por Campylobacter — uma inflamação da mucosa do intestino delgado.

Em casos mais graves, esse gênero de bactérias pode causar outras complicações, como a síndrome do intestino irritável (SII) ou ainda a síndrome de Guillain-Barré. No entanto, outros fatores precisam estar envolvidos, como a baixa imunidade.

Outras carnes podem ser lavadas?

Embora as recomendações, até agora, sejam direcionadas para a lavagem de frango, outros tipos de carnes também não devem ser lavados. Afinal, este tipo de alimento pode apresentar risco microbiológico e, por isso, precisa ser aquecido a uma temperatura mínima de 74°C.

“Lembrando que nem todo produto cru de origem animal contém micro-organismos patogênicos, mas existe esse risco e o cozimento adequado garante que esses micro-organismos sejam eliminados ou reduzidos a níveis seguros", completa o pesquisador Uelinton.

Fonte: Canaltech

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