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Por que a variante Delta do coronavírus é mais infecciosa?

·3 minuto de leitura

Identificada pela primeira vez na Índia, a variante Delta (B.1.671.2) do coronavírus SARS-CoV-2 é considerada a cepa mais infecciosa do vírus. Agora, pesquisadores chineses parecem ter encontrado o motivo da variante ser mais transmissível: as pessoas infectadas carregam um número maior de partículas virais e, por isso, a COVID-19 pode evoluir mais rápido, inclusive as transmissões.

A descoberta é importante, porque, até agora, não se entendia os motivos que levavam a maior transmissão da variante Delta do coronavírus. Na China, o primeiro caso de transmissão local da variante foi datado no dia 21 de maio e, desde então, a cepa se espalha pelo país asiático, conforme investigaram os autores do estudo. O preprint — estudo ainda não revisado por pares — foi publicado na plataforma Virological.

Pesquisa chinesa identifica motivos que levam a variante Delta ser mais transmissível (Imagem: Reprodução/Kjpargeter/Freepik)
Pesquisa chinesa identifica motivos que levam a variante Delta ser mais transmissível (Imagem: Reprodução/Kjpargeter/Freepik)

Estudo sobre a variante Delta do coronavírus

O estudo foi feito a partir de dados de vigilância e triagem de pessoas infectadas com a variante Delta e seus contatos próximos na China. Como padrão, os contatos próximos de pessoas infectadas foram isolados e fizeram testes diários de RT-PCR. No total, 167 casos da infecção foram estudados.

A taxa de infectados, a partir do contato com a variante Delta, foi comparada com os dados dos primeiros dias da pandemia, quando o SARS-CoV-2 original estava se proliferando pela China. Segundo os pesquisadores, o tempo médio que levou desde a exposição de uma pessoa ao vírus até o resultado positivo no teste foi de 5,61 dias para o vírus original e 3,71 dias para a Delta.

Transmissões da COVID-19 começam mais cedo

A descoberta mais interessante do estudo é que leva muito menos tempo entre ser exposto à variante Delta, apresentar níveis significativos de vírus e começar a transmitir a COVID-19. Isso muda a "janela" de quando as pessoas são infecciosas, explicou John Connor, pesquisador do Laboratório Nacional de Doenças Infecciosas Emergentes da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, para o site Live Science.

"Como sabemos, os indivíduos passam por um período latente após a infecção, durante o qual os títulos virais [concentrações] são muito baixos para serem detectados. À medida que a proliferação viral continua dentro do hospedeiro, a carga viral eventualmente atingirá um nível detectável e se tornará infecciosa," os autores escreveram no estudo. "Saber quando uma pessoa infectada pode espalhar vírus é essencial para desenvolver estratégias de intervenção para quebrar as cadeias de transmissão." Em outras palavras, o rastreamento de contato teria que funcionar mais rapidamente para impedir que as pessoas transmitissem a Delta.

Maior carga viral nos doentes

Além disso, os cientistas identificaram que as cargas virais nas infecções pela variante Delta eram 1.260 vezes maiores do que nas infecções virais originais. A explicação completa ainda está em investigação, mas isso parece acontecer porque a variante Delta pode se replicar no corpo a uma taxa mais rápida do que o vírus original.

"Esses dados destacam que a variante Delta pode ser mais infecciosa durante o estágio inicial da infecção", escreveram os autores. Isso, por sua vez, sugere que a pessoa liberaria mais partículas virais, aumentando o risco de transmissão.

Para acessar o estudo completo sobre os motivos que levam a variante Delta ser mais infecciosa, publicado na plataforma Virological, clique aqui.

Fonte: Canaltech

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