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Por que a vacina de Oxford contra malária pode mudar o mundo?

No Reino Unido, cientistas da Universidade de Oxford trabalham no desenvolvimento de uma potente e barata vacina contra a malária. Caso os testes clínicos (em humanos) ocorram conforme o esperado, a expectativa é que 100 milhões de doses do imunizante sejam fabricadas por ano. Neste cenário, a vacinação será um divisor na expectativa de vida em muitas comunidades, especialmente para crianças no continente africano.

Apelidada de R21/Matrix-M, a vacina de Oxford contra a malária tem potencial para "mudar o mundo", segundo a equipe de cientistas que trabalham no seu desenvolvimento. Por enquanto, testes de Fase 1/2, com centenas de crianças, indicam uma eficácia de 80% para casos graves da infecção causada pelo parasita Plasmodium.

Vacina de Oxford contra a malária pode aumentar a expectativa de vida de milhares de crianças (Imagem: SteveAllenPhoto999/Envato)
Vacina de Oxford contra a malária pode aumentar a expectativa de vida de milhares de crianças (Imagem: SteveAllenPhoto999/Envato)

Por outro lado, é importante lembrar que a malária é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo. Em 2021, foram calculados 241 milhões de casos da infecção, sendo pelo menos 627 mil mortes oficiais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Infelizmente, as principais vítimas são as crianças.

Testes em crianças para a vacina de Oxford

Publicado na revista científica The Lancet Infectious Diseases, o estudo clínico de dois anos sobre a próxima vacina da malária foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Oxford. Os testes ocorreram no país da África Ocidental, Burkina Faso, em cerca de 400 crianças que tinham entre 17 meses e 5 anos.

"Nas crianças que receberam R21 com a dose mais elevada de adjuvante Matrix-M, a eficácia foi de 80% aos 12 meses após a vacinação de reforço", afirmam os autores do estudo. No total, estes voluntários receberam quatro doses do imunizante em um intervalo de 24 meses.

"Achamos que esses dados são os melhores dados já no campo com qualquer vacina contra a malária", explica Adrian Hill, professor e diretor do Instituto Jenner da Universidade de Oxford, para a BBC.

Agora, os cientistas devem enviar a documentação e os resultados deste estudo clínico para os órgãos reguladores nas próximas semanas, onde poderão (ou não) receber a autorização de uso. Em paralelo, ainda aguardam os resultados do estudo de Fase 3 da vacina, em que 4,8 mil crianças foram imunizadas. A previsão é que a pesquisa seja concluída até dezembro deste ano.

Como funciona a vacina da malária?

Nova vacina de Oxford usa proteínas do parasita da malária e do vírus da hepatite B para proteger crianças (Imagem: Prostock-studio/Envato)
Nova vacina de Oxford usa proteínas do parasita da malária e do vírus da hepatite B para proteger crianças (Imagem: Prostock-studio/Envato)

A vacina da malária busca impedir que a infecção se instale no organismo do indivíduo. Nesse sentido, a fórmula atua no primeiro estágio do ciclo de vida do parasita, impedindo que o Plasmodium, independente da espécie, chegue ao fígado e se estabeleça no organismo.

Para isso, a vacina usa uma combinação de proteínas do parasita da malária — que irá ajudar o organismo a identificar o agente infeccioso, quando de fato a pessoa for infectada — e outras proteínas do vírus da hepatite B. Juntas, elas se "automontam" em uma nova partícula que é semelhante a um vírus.

100 milhões de doses devem ser feitas no primeiro ano

No momento, o imunizante de Oxford contra a malária está licenciado pelo maior fabricante de vacinas do mundo, o Serum Institute of India. Caso todos os testes ocorram conforme o esperado, 100 milhões de doses serão produzidas já em 2023. A partir de 2024, este número pode chegar a 200 milhões.

Vale lembrar que, no ano passado, a OMS autorizou a primeira vacina contra a malária e este foi um importante marco histórico no combate à doença. Na decisão, foi liberado o uso da Mosquirix, desenvolvida pela farmacêutica GSK.

Apesar da capacidade de proteção da vacina da GSK, há um desafio para que seus benefícios sejam potencializados: a questão da produção em larga escala. Segundo a Reuters, a farmacêutica produz anualmente cerca de 15 milhões de doses e esta produção deve permanecer a mesma até 2028, o que impede grandes programas de vacinação e não resolverá o impacto global da malária. Até o momento, a fórmula de Oxford parece solucionar o problema de produção, mas ainda deve se mostrar igualmente eficaz.

No Brasil, o Instituto Leônidas & Maria Deane (Fiocruz Amazônia), em parceria com a Fundação de Medicina Tropical (FMT), trabalham no desenvolvimento de uma vacina contra a malária. O projeto também conta com investimentos japoneses, mas a fórmula está em estágio pré-clínico.

Fonte: Canaltech

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