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Por que a telefonia no Brasil é tão ruim?

Pixabay
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A telefonia no Brasil é um dos setores que mais gera reclamações de consumidores, segundo dados da Proteste e do Reclame AQUI. Apesar da baixa qualidade dos serviços oferecidos em relação a outros países desenvolvidos e em desenvolvimento, a telecomunicação brasileira apresenta um dos custos mais altos do mundo para a população, afirmou o professor de Engenharia da FAAP Audemir Loris. “Pelo o que a gente paga aqui, o serviço é muito aquém das expectativas”, disse o especialista e apontou que o imposto sobre o mercado de telefonia chega a 40%.

Comparar o sistema de telecomunicação brasileiro ao serviço oferecido na Coreia do Sul, Alemanha e Estados Unidos é “covardia”, segundo Loris. No entanto, mesmo em uma disputa com países como Rússia, Índia e China, o Brasil está atrás, afirmou o professor. “A relação custo-benefício nos BRICS (exceto Brasil) é muito melhor que a nossa”, acrescentou Loris. O problema não é falta de tecnologia, mas a infraestrutura carente no país, apontou o especialista.

Loris afirmou que a formação dos engenheiros de telecomunicação no Brasil é muitas vezes de primeira linha, mas o processo de negócios não dá sustentação para um serviço de qualidade. Após a privatização do setor de telecomunicação, em 1998, houve uma expansão na capacidade de atender clientes, em um primeiro momento, explicou o engenheiro. “Mas fazer mais conexões sem investir em infraestrutura causa sobrecarga no sistema e queda na qualidade do serviço”, disse Loris.

Há quase 20 anos, o governo dividiu a Telebrás, estatal que controlava a maior parte do sistema de telecomunicação no país, em diferentes companhias e as colocou no mercado para a iniciativa privada. Essas empresas forneceram telefonia para mais pessoas, mas é como se “onde cabiam 100, colocaram 120”, disse Loris. “Na telefonia celular, por exemplo, se as células têm capacidade de atender 5 mil conexões, países desenvolvidos e em desenvolvimento limitam esse uso a 80%. No Brasil, o uso chega a quase 100% da capacidade instalada”, comparou Loris.

Para o professor de telecomunicações da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Jose Roberto Soares, a privatização entregou “a preço de banana” todo o sistema de telecomunicação brasileiro a empresas estrangeiras, que criaram um monopólio no país. Para agravar a situação, o professor afirmou que as agências reguladoras no Brasil, nesse caso a Anatel, trabalham de forma passiva e só agem quando há reclamação. “O dia em que a Anatel vai fazer a sondagem, a estrutura é toda organizada, depois os problemas voltam. É um jogo de faz de conta”, disse Soares.

O único serviço que o governo “garante” é a linha fixa cabeada, segundo Soares, que tem despertado cada vez menos interesse no consumidor brasileiro. A carência de acesso a recursos tecnológicos e aparelhos como computador e notebook geram uma concentração nos serviços móveis, disse Loris. “A internet no Brasil é mais acessada via celular do que computador”, acrescentou.

Reciclagem e chegara do 5G

Entre as dificuldades em investir na telecomunicação é a constante mudança na tecnologia, afirmou Soares. “A cada três anos, você joga tudo no lixo. A parte de sistema dura um pouco mais, cerca de cinco anos, mas tudo é muito caro, disse o especialista. O “ sistema de paliteiro” no Brasil em breve deve ser reciclado. “Com a chegada do 5G em 2020, não vamos precisar mais de antenas gigantes. Vai mudar tudo e isso significa muito dinheiro”, adiantou Soares. “Quem vai pagar a conta? Nós. Com qual qualidade vamos aproveitar isso? Não sabemos”, concluiu o especialista.

*** As operadoras de telefonia não responderam aos pedidos da reportagem até a publicação da matéria.

Por Thaís Sabino (@thaissabino)

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