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Por que Osasco (SP) atrai tantas startups bilionárias brasileiras?

·3 min de leitura

Parte da região metropolitana de São Paulo, Osasco nos últimos anos perseguiu a missão de ser mais um pólo tecnológico brasileiro. E até agora está indo bem: atualmente a cidade recebeu escritórios e sedes de multinacionais e algumas das empresas de tecnologia com valor de mercado acima de US$ 1 bilhão (unicórnio). As mais recentes da lista serão a 99 e Uber, com seus campus de inovação com entrega prometida para este ano.

Das 26 startups unicórnio brasileiras, pelo menos três já atuam em Osasco: a 99 (hoje parte da chinesa Didi), iFood e Facily, sendo que esta última entrou no clube das bilionárias em dezembro. Além disso, latinas como Mercado Livre (Argentina), Rappi (Colômbia) e a citada Uber (EUA) fizeram esse movimento. Sem falar das grandes de e-commerce B2W e Dafiti e a grande sede do Bradesco chamada Cidade de Deus. Esta última está na cidade desde 1953 e é um dos seus maiores geradores de emprego e Produto Interno Bruto (PIB).

Melicidade, sede do <a class="link rapid-noclick-resp" href="https://canaltech.com.br/empresa/mercado-livre/" rel="nofollow noopener" target="_blank" data-ylk="slk:Mercado Livre">Mercado Livre</a> em Osasco (Imagem: Divulgação/Mercado Livre)
Melicidade, sede do Mercado Livre em Osasco (Imagem: Divulgação/Mercado Livre)

O Mercado Livre inaugurou sua sede na futura "Oz Valley" — atual apelido da cidade de 698 mil habitantes, a sexta maior densidade populacional do país — em 2016. De acordo com a imprensa na época, o investimento foi de R$ 105 milhões e o escritório moderno, apelidado Melicidade, tem iluminação automatizada e 33 mil metros quadrados.

Depois veio o iFood, em 2018, que recriou um edifício da década de 50 com 13 mil m². Já as prometidas sedes da Uber e 99 contarão ambas com 30 mil m² (na Uber, serão 18 mil dedicadas à área verde). Todas essas empresas ficam próximas umas das outras: geralmente na região da avenida dos Autonomistas, próximo a lojas, shopping centers e terminais rodoviários e ferroviários, para facilitar o acesso de trabalhadores que vêm da capital paulista.

Sede do iFood em Osasco (Imagem: Divulgação/iFood)
Sede do iFood em Osasco (Imagem: Divulgação/iFood)

Como isso começou?

Osasco é a cidade mais jovem cidade da região metropolitana de São Paulo; fará 60 anos em 2022. Até poucos anos atrás, sua vocação econômica era industrial, principalmente metalúrgica, devido ao acesso às principais rodovias do estado, como Castello Branco, Bandeirantes e ao Rodoanel. Nos últimos dez anos, muitas dessas indústrias mudaram de cidade ou fecharam, e gradativamente o município se tornou um pólo de comércio e serviços.

Um estudo da prefeitura de 2018 constatou que um dos fatores que impediam a atração de mais empresas a Osasco era o seu Imposto sobre Serviços (ISS), na época de 5%. O atual prefeito, Rogério Lins (Podemos), reduziu o percentual para 2% e passou a fazer uma busca ativa de empresas para apresentar o potencial da cidade.

Lins disse ao Canaltech ter se inspirado em outros exemplos pelo Brasil. "Nesses últimos dois anos, estive em Florianópolis, no Porto Digital do Recife e São José dos Campos. Montamos em Osasco o mesmo tripé dessas cidades: iniciativa privada, que querem segurança em seus investimentos; poder público, que busca se tornar um novo Vale do Silício no Brasil; e a formação acadêmica, pois já falta mão de obra qualificada para as empresas", explica.

De acordo com o prefeito, a arrecadação em ISS de Osasco aumentou 20% de 2020 a 2021, mesmo com a pandemia de covid, o que gerou um acréscimo de R$ 400 milhões aos cofres da cidade. E ainda pode ser melhor, pois startups promissoras que já estão por lá podem virar unicórnios este ano. "Uma delas é a Shopper. E estamos em negociação com outos dois grandes grupos, mas não podemos adiantar quem são ainda", despista Lins.

Fonte: Canaltech

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