Mercado abrirá em 20 mins

Por que os smartphones voltaram a chamar a atenção

Foto: AP/Jeff Chiu

O mercado de smartphones estava estagnado há algum tempo. Desde que as empresas de tecnologia adotaram o design plano e retangular dos celulares atuais com tela sensível ao toque, houve poucas mudanças no visual desses dispositivos.

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É claro que o número de câmeras e a durabilidade aumentaram, mas os celulares lançados hoje são bastante parecidos aos de seis anos atrás. Essa falta de modernização, além de outros fatores, como o fim dos upgrades subsidiados a cada dois anos, gerou uma certa estagnação e até uma diminuição no crescimento das vendas de smartphones.

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No entanto, esse cenário está começando a mudar. Neste mês, a TCL, empresa chinesa de eletrônicos, apresentou um dispositivo dobrável em três partes, que pode ficar do tamanho de um celular ou de um tablet grande. Com o surgimento das telas dobráveis e deslizantes, outros fabricantes, como Samsung, Huawei e Motorola, também estão experimentando designs mais inovadores. Assim como na primeira linha de smartphones, quando as empresas testaram diferentes estilos, o visual dos celulares pode voltar a mudar.

E essas mudanças podem acontecer mais cedo do que imaginamos.

A revolução dobrável

Todo mundo que tem idade suficiente para se lembrar do surgimento dos smartphones provavelmente teve um celular flip. Com interfaces simples, mais parecidas a um telefone, e design compacto, os celulares flip eram o modelo preferido de muitos consumidores. Além de tudo, era muito legal fechar o celular flip para encerrar uma ligação.

Os smartphones acabaram com os celulares flip, mas graças às telas dobráveis desenvolvidas por empresas como Samsung e Motorola, esses telefones divertidos estão voltando com tecnologias muito mais avançadas. Além disso, diferente dos smartphones tradicionais, que ocupam muito espaço no bolso, os celulares dobráveis podem oferecer aos usuários todos os recursos de um smartphone em um formato menor.

"A funcionalidade dos celulares dobráveis está apenas começando a ser explorada (por exemplo, quais tipos de aplicativos e casos de uso se beneficiam de uma tela dobrável)", explica Tuong Nguyen, analista principal da Gartner, por e-mail.

"Uma possibilidade é consolidar ou estender (dependendo do ponto de vista) os diferentes formatos de computação que usamos hoje (laptops, tablets, ultramobiles, smartphones) em apenas um dispositivo", acrescenta.

Até agora, os celulares flip são extremamente caros. O Samsung Galaxy Z Flip, meu preferido, custa US$ 1.380, enquanto o Razr da Motorola, que recebeu muitas críticas devido à qualidade da estrutura, é vendido a partir de US$ 1.499.

A durabilidade dos dois celulares também foi questionada: o painel do Z Flip é fácil de perfurar e arranhar, e algumas bolhas apareceram na tela do Razr depois de alguns dias de uso.

O Galaxy Fold original da Samsung, que custa US$ 1.980, também teve problemas com o design. Um espaço próximo à dobradiça permitia o acúmulo de poeira e partículas atrás da tela do celular, formando manchas visíveis.

Além disso, nenhum desses celulares é à prova d'água, um ponto negativo para muitos consumidores, acostumados com dispositivos que podem ser submersos por mais de 30 minutos e que resistem a pequenos derramamentos de líquidos.

Mais do que uma simples dobra

No entanto, o foco não é só reinventar os celulares flip ou dobráveis. Os fabricantes estão analisando todas as formas de implementar a tecnologia dobrável nos dispositivos. Um exemplo é o conceito de celular dobrável em três partes, apresentado recentemente pela TCL. 

O aparelho, que ainda está em fase de desenvolvimento inicial, tem duas dobradiças diferentes: uma que dobra para dentro e outra que dobra para fora, quase como um mapa de papel. Quando dobrado em três partes, o dispositivo exibe um painel de 6,65 polegadas. Mas quando é desdobrado, a tela se expande e fica bem maior, com 10 polegadas. É quase o mesmo tamanho da tela de 10,2 polegadas do iPad da Apple.

Na verdade, o objetivo desse tipo de design é oferecer um telefone que possa se transformar rapidamente em um tablet, eliminando a necessidade de usar dois dispositivos diferentes.

No entanto, o dispositivo dobrável em três partes não é exatamente leve, nem está pronto para ser lançado. Ele funciona com o sistema operacional Android, do Google, mas, como conceito, ainda é muito frágil.

A TCL tem outro conceito de dispositivo, um smartphone de tela extensível e flexível. Semelhante à TV flexível R9 da LG, que se desenrola como uma cortina, o dispositivo da TCL terá um pequeno motor que ampliará a tela de 6,75 para 7,8 polegadas.

Novos caminhos

Por enquanto, os celulares dobráveis e similares são disponibilizados apenas por alguns fabricantes, mas isso pode mudar em breve. A Apple, por exemplo, registrou patentes de iPhones dobráveis, inclusive um com design dobrável em três partes.

No entanto, vale lembrar que as empresas registram patentes de designs e produtos o tempo todo, mas isso não garante que eles serão lançados no mercado. Portanto, se a Apple não fizer um anúncio oficial, não espere o lançamento de um iPhone dobrável tão cedo.

Também existe a questão das vantagens funcionais que os telefones dobráveis oferecem em relação aos contemporâneos de tela plana. Embora ocupem menos espaço, essa característica pode não ser suficiente para fazer os consumidores gastarem mais de US$ 2.000 em um design não comprovado.

"A funcionalidade dos celulares dobráveis está apenas começando a ser explorada (por exemplo, quais tipos de aplicativos e casos de uso se beneficiam de uma tela dobrável)", explica Nguyen. "Uma possibilidade é consolidar ou estender (dependendo do ponto de vista) os diferentes formatos de computação que usamos hoje (laptops, tablets, ultramobiles, smartphones) em apenas um dispositivo".

Ramon Llamas, diretor de pesquisa de dispositivos móveis da IDC, afirma que os aparelhos dobráveis são o próximo passo na evolução dos smartphones, mesmo que não atraiam muitos compradores.

"Não sei o que as pessoas acham, mas eu gostei da evolução dos telefones celulares nos últimos dez a quinze anos. Há pouco tempo, a moda ainda eram os celulares 'tijolão' prateados".

Com certeza haverá muitas falhas e fracassos até os smartphones dobráveis se tornarem o padrão ou pelo menos atingirem um bom nível de acessibilidade e durabilidade para os consumidores. Até lá, será interessante observar o que cada empresa consegue criar.

Daniel Howley

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