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Por que os museus estão fugindo dos NFTs

·5 min de leitura

O inesperado valor de U$ 69 milhões por um token não fungível (também conhecido como NFT), criado pelo artista digital Beeple em 11 de março de 2021, repercutiu bastante no mundo da arte. E mais vendas multimilionárias desses ativos digitais logo voltarão a acontecer.

Enquanto isso, museus de arte enfrentam déficits financeiros substanciais devido à redução no número de visitantes e doações por causa da COVID-19, e muitos deles consideraram tomar medidas drásticas, como vender obras de arte valiosas para preencher as lacunas no orçamento.

Mas seriam os NFTs capazes de gerar a receita de que muitos desses museus precisam? Alguns deles já estão criando seus próprios tokens, como o British Museum e o Academy Museum of Motion Pictures. Já o Instituto de Arte Contemporânea de Miami recebeu seu primeiro NFT como doação. Hoje já existe até um museu específico desses ativos digitais, o Museum of Digital Life.

Ainda assim, mais de seis meses após essa comoção no mundo da arte, os museus, em grande parte, têm se envolvido pouco com NFTs. Como pesquisadores interessados em finanças de organizações sem fins lucrativos e no crescimento de NFTs, cripto-ativos e outros aplicativos de blockchain associados, vemos quatro razões principais pelas quais os museus ainda não veem esses ativos como uma solução financeira viável.

1. NFTs SÃO COMPLICADOS

O responsável por administrar um museu possui experiência em arte, educação e curadoria. Mas NFTs são um campo completamente diferente, bastante distante da arte e têm mais em comum com criptomoedas do que com obras de arte típicas, como pinturas e esculturas.

O que os diferencia das criptomoedas como bitcoin e ethereum, que são feitas para serem intercambiáveis, é que cada NFT representa um ativo único. Descobrir como eles devem ser mantidos e avaliados é difícil, e coloca-los para leilão não é algo trivial para a equipe de um museu. Além disso, eles normalmente são comprados e vendidos através de criptomoedas, e poucas organizações ou instituições – como museus – fazem transações com elas.

Além da falta de know-how financeiro e de uma cultura de redução de riscos, existem complexidades jurídicas e complicações em contratar seguradoras, portanto é fácil entender porque museus ainda não entraram no mercado de NFTs.

2. AS VANTAGENS FINANCEIRAS PODEM NÃO EXISTIR

A diferença entre possuir uma obra de arte e possuir um NFT associado a ela pode ser confusa. Embora possa parecer o contrário, o token não fungível é um ativo separado da arte em si. Os proprietários de uma obra de arte mantêm a propriedade dela mesmo após quaisquer NFTs derivados serem criados e vendidos.

Essa diferença significa que possuir uma obra de arte não está diretamente ligado à possibilidade de criar um NTF e obter lucro. Assim como o valor de uma pintura tem pouco a ver com o valor da tinta, tela e moldura, o valor financeiro desse ativo digital é subjetivo. Depende do que outros estão dispostos a pagar.

Artistas com controle sobre seu próprio trabalho podem criar – e criam – NFTs relacionados a suas obras. Mas, uma vez que esta arte é mantida em um museu, o valor deles fica mais abstrato.

Da mesma forma que um livro autografado pelo autor é mais valioso do que um sem assinatura, um NFT criado por um artista pode ser capaz de atrair o interesse de colecionadores. Em contrapartida, um livro autografado pelo editor ou um NFT criado por um museu acaba por ser menos atraente.

Ou seja, mesmo que um museu possua obras de arte valiosas, não significa que a criação de tokens não fungíveis seja um fluxo de receita garantido.

3. O MERCADO DE NFTs VALORIZA ARTISTAS, NÃO INSTITUIÇÕES

Um dos motivos para o crescimento desse mercado deve-se ao fato de que compradores veem a aquisição deles como uma forma de interagir e apoiar financeiramente o artista.

De forma mais ampla, isso cria um ethos de descentralização e faz com que compradores de NFT não sejam receptivos à ideia de ter um intermediário entre eles e o artista. Um exemplo desse ethos baseado no apoio a artistas é a prevalência de contratos inteligentes que garantem royalties toda vez que um NFT vinculado a uma de suas obras for vendido.

Por outro lado, a monetização, apontada como a principal vantagem para museus que querem entrar nesse mercado, pode não ser tão simples quanto parece à primeira vista. Primeiramente, museus precisariam certificar-se de que monetizar suas coleções não prejudicaria de alguma forma o acesso do público a elas – algo que possivelmente violaria suas missões e diretrizes. Em segundo lugar, eles precisam possuir protocolos para garantir que o lucro das vendas seja corretamente reinvestido. E, ainda assim, há o risco de que isso possa inadvertidamente fazer com que partes da coleção sejam tratadas como meros instrumentos financeiros, quando geram receita, em vez de servir como itens em exibição para o público. Resta saber se, no futuro, os NFTs beneficiarão financeiramente os museus tradicionais ou apenas criarão novas oportunidades para os virtuais.

4. A VOLATILIDADE E A INCERTEZA TORNAM OS NFTs ARRISCADOS

Embora os preços altos que eles podem alcançar sejam atraentes, há inúmeros casos de NFTs que rapidamente perderam valor. Da mesma forma como ocorre com as criptomoedas, aqui também há muita volatilidade. Os preços de vários NFTs sofreram quedas massivas e drásticas, como os criados por Grimes, A$AP Rocky e John Cena.

Depender deles para arrecadar dinheiro pode ser arriscado e isso pode fazer com que museus determinem que não é apropriado mantê-los. Isso significa que eles podem ser forçados a liquidar rapidamente qualquer NFT que criem ou recebam – mesmo que a venda o torne menos valioso para a instituição.

Além disso, ainda há muita incerteza sobre como NFTs valiosos podem contribuir para os objetivos principais de um museu. Eles não são de natureza física nem obras de arte. E, mesmo quando falamos de uma obra arte digital, qualquer NFT derivado não está atrelado a ela.

Esses ativos digitais ainda são recentes. Bancos e outras instituições financeiras tradicionais inicialmente se mantiveram distantes das criptomoedas, mas agora estão lentamente assumindo um papel maior nesses mercados. É bastante possível que, à medida que o mercado de NFTs amadurece, algo semelhante ocorrerá com as instituições tradicionais do mundo da arte.

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