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Por que os funcionários odeiam as "conversas rápidas" com os chefes

Finanças Internacional
·4 minuto de leitura
Business leader instructing focused Indian female assistant. Serious and upset woman leaning head on hand and listening to boss during coffee break. Teamwork or company hierarchy concept
Business leader instructing focused Indian female assistant. Serious and upset woman leaning head on hand and listening to boss during coffee break. Teamwork or company hierarchy concept

Por Lydia Smith

Algumas frases são capazes de disparar a ansiedade no trabalho. Às vezes, é um e-mail "urgente" do chefe chegando às 21h ou o anúncio de um exercício de formação de equipes no Zoom. Mas talvez as que causam mais ansiedade sejam três palavras: "Podemos conversar rapidinho?"

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Nesse momento, o chefe chega à mesa de surpresa e pede alguns minutos para conversar. A pessoa para o que está fazendo e acompanha o chefe até a sala de reuniões, imaginando se terá que assumir mais projetos ou se vai ter que procurar emprego amanhã. E, como era de se esperar, essa situação eleva os níveis de estresse à estratosfera.

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Para descobrir quais frases causam mais estresse, 807 membros de equipes da organização global de treinamento The Knowledge Academy usaram um monitor de frequência cardíaca todos os dias durante o trabalho, por seis semanas. Nesse período, os funcionários de alto escalão foram instruídos a falar 15 frases comuns no trabalho aleatoriamente, incluindo a temida "Vamos conversar".

Os funcionários não sabiam do experimento, mas foram informados de que precisariam medir a frequência cardíaca por minuto em momentos aleatórios, geralmente depois que uma dessas frases era dita.

Em média, a frase "vamos conversar" elevou a frequência cardíaca por minuto do participante a 147 BPM, 84% acima da frequência média de uma pessoa em repouso, de 80 BPM.

O segundo e o terceiro lugar ficaram com as frases "Você poderia fazer uma apresentação para nós?" e "Pode mostrar suas conclusões na reunião de hoje?", que elevaram os batimentos a uma média de 143 BPM e 138 BPM, respectivamente. "Faça acontecer" e "Viu aquele e-mail urgente?" ficaram em quarto e quinto.

Mas por que tanta aversão a convites para uma conversa rápida?

É claro, a reação a determinadas frases pode depender do tipo de relação entre o funcionário e o gerente. Se houver um bom relacionamento e os dois se conhecerem bem, provavelmente haverá mais segurança e menos ansiedade sobre a conversa. Mas se a relação for conflituosa, ouvir essas palavras pode ser suficiente para fazer as mãos suarem.

Hilda Burke, psicoterapeuta e autora de The Phone Addiction Workbook, afirma que essa reação pode estar relacionada a experiências ruins com a frase. "Acho que muitas pessoas têm pelo menos uma associação negativa com essa frase. Também pode haver associações positivas, mas normalmente somos mais inclinados a nos agarrar às negativas", ela explica.

Isso acontece por conta do viés da negatividade, um princípio psicológico segundo o qual temos mais probabilidade de registrar, lembrar e insistir em um evento negativo em vez de lembrar de momentos felizes. É um hábito herdado dos tempos das cavernas, quando a sobrevivência dependia da capacidade de concentrar-se nos perigos ao redor.

"Muitos dos meus clientes passaram pela experiência de ser chamado para uma reunião com o chefe para 'dar uma palavrinha rápida' e temeram o pior, mas a 'palavrinha rápida' acabou sendo algo muito positivo", afirma Burke. "Portanto, é óbvio que nem sempre a notícia é negativa."

A forma de reagir às frases também depende da tendência a tratar as coisas como uma catástrofe ou imaginar que o pior vai acontecer. Ao ouvir uma mensagem pouco clara, as pessoas inclinadas ao pensamento catastrófico podem imediatamente tirar a conclusão precipitada de que terão problemas com o chefe, serão demitidas ou estão envolvidas em outros cenários desastrosos.

Na essência, o pessimismo é uma forma de autopreservação. Ao imaginar o pior resultado possível, estamos nos preparando, e nos sentimos aliviados quando ele não acontece.

Existem muitas razões para sermos catastróficos, e a ansiedade é uma delas. Viver em uma pandemia global que está destruindo a economia e o mercado de trabalho provavelmente não ajuda. Sem contexto, é normal tirar conclusões antes da hora quando seu chefe pede cinco minutos do seu tempo.

Com muitos trabalhadores sentindo a tensão causada pela crise da COVID-19, agora é mais importante do que nunca que os gerentes pensem com mais cuidado sobre como se expressar e que impactos essa comunicação causa nas pessoas. Se precisar conversar com alguém, contextualize a situação, se possível, e pense no tom de voz e nas palavras usadas. Agora que muitas pessoas trabalham de casa, também é importante repensar a comunicação por e-mail ou por videochamada.

"Muitas coisas no trabalho podem alterar nossa frequência cardíaca: o prazo de projetos, delegar a tarefa certa às pessoas corretas e muitas outras atividades", afirma Talveer Sandhu, porta-voz da The Knowledge Academy.

"Em um nível mais granular, o estudo que realizamos concluiu que até as palavras ou frases comuns em um ambiente de trabalho podem fazer uma grande diferença em como as pessoas se sentem. Essa ideia pode estimular todos nós a reconsiderar a forma de falar com funcionários e colegas daqui para a frente."

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