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Por que a OMS não recomenda a vacina da Rússia?

Natalie Rosa
·2 minutos de leitura

O Brasil acordou, nesta terça-feira (11), com a notícia que a vacina da COVID-19 desenvolvida pela Rússia estaria pronta para ser comercializada, com a possibilidade de chegar em breve ao nosso país. No entanto, poucas horas depois, a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que não recomenda o uso das doses.

A vacina criada na Rússia não apresentou resultados de ensaios clínicos das fases 1, 2 e 3 e, por isso, de acordo com Jarbas Barbosa da Silva Jr., diretor-assistente da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), escritório regional da OMS, o seu uso não será recomendado. Antes de iniciar as aplicações, segundo o diretor, é preciso que a vacina tenha seus ensaios concluídos e sejam analisadas pelas autoridades regulatórias de cada país.

<em>Imagem: Freepik</em>
Imagem: Freepik

"Numa emergência de saúde pública há processos para uma avaliação mais rápida, mas apenas com a garantia de eficácia e segurança", relata Barbosa da Silva Jr, afirmando ainda que todo esse processo é crucial para a pré-qualificação e recomendação do produto. Em relatório no próprio site da OMS, a vacina da Rússia, produzida pelo Instituto de Pesquisa Gamaleya, apresenta resultados apenas para a fase 1.

O estado do Paraná já anunciou a intenção de fechar uma parceria com o país para os testes finais da vacina, batizada de Sputnik V, com contrato possivelmente firmado nesta quarta-feira, dia 12. A última etapa de testes, chamada de fase 3, é a mais crucial para a liberação das doses, pois é ela que vai definir não só a sua eficácia contra o SARS-CoV-2, como também sua segurança.

Aprovação da OMS não é necessária

Mesmo que a Organização Mundial de Saúde não recomende o uso de uma vacina, não é necessária a sua aprovação para que ela seja colocada em circulação. O que é pedido à OMS seria uma pré-qualificação, que funciona como um selo de qualidade. "E então há um processo de revisão e avaliação dos dados de segurança e eficácia que foram colhidos nos ensaios clínicos. A OMS faria isso para qualquer vacina candidata", esclarece Tarik Jasarevic, porta-voz da OMS.

Fonte: Canaltech

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