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Por que o vírus leva pessoas racionais ao pânico de comprar

Ari Altstedter e Jinshan Hong

(Bloomberg) -- A propagação mundial do novo coronavírus tem causado alguns efeitos colaterais curiosos: as prateleiras das lojas estão vazias de Cingapura a Seattle. Supermercados do Reino Unido começaram a racionar itens. Em Hong Kong, um entregador, com centenas de rolos de papel higiênico, foi supostamente roubado sob a ameaça de uma faca. Na Austrália, houve brigas em supermercados, o que levou a polícia a imobilizar um homem. E a França efetivamente nacionalizou toda a produção de máscaras devido à corrida pelo suprimento que esgotou o produto.

As compras motivadas pelo pânico emergiram como uma característica da epidemia de coronavírus tanto quanto a febre ou tosse seca.

Psicólogos veem o controle como uma necessidade básica humana. Como uma doença altamente infecciosa e que pode ser fatal, esta epidemia viola o senso de controle de maneiras fundamentais. A menos que governos possam encontrar uma maneira de restaurar esse sentimento, o ciclo de compras motivadas por pânico, acumulação e escassez só tende a aumentar.

“As pessoas realmente não estão equipadas psicologicamente para processar esse tipo de coisa”, disse Andrew Stephen, professor de marketing da Said Business School da Universidade de Oxford. “Isso piora a situação para muitas pessoas em termos de incerteza, e elas fazem o que precisam para tentar recuperar algum controle.”

A compra motivada por pânico já ameaça causar danos reais. O Cirurgião Geral dos EUA pediu aos norte-americanos que parem de comprar máscaras para garantir o fornecimento para profissionais de saúde, enquanto o Japão disse que introduzirá penalidades para a revenda de máscaras. O EBay baniu novas listagens de produtos de saúde depois que ocorrências de manipulação de preços tornaram-se comuns. Pacotes de desinfetante para as mãos, geralmente vendidos por US$ 10, chegaram a custar US$ 400.

E a perspectiva de confinamento prolongado em casa fez com que as pessoas corressem para estocar outros itens. O leite de aveia tornou-se uma commodity em alta demanda porque dura mais do que produtos lácteos, o equipamento de sobrevivência popularizado no programa da National Geographic “Doomsday Preppers” também é muito procurado, e a Hostess Brands diz que as vendas de seu famoso bolinho Twinkie dispararam.

--Com a colaboração de Daniela Wei e Sybilla Gross.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Ari Altstedter em Mumbai, aaltstedter@bloomberg.net;Jinshan Hong Hong Kong, jhong214@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Rachel Chang, wchang98@bloomberg.net, Jodi Schneider

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