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Por que o premiê holandês Mark Rutte se tornou o 'Sr. Não, Não, Não' na UE

Por ToSterling
·2 minuto de leitura
Mark Rutte em Bruxelas
Mark Rutte em Bruxelas

Por Toby Sterling

AMSTERDÃ (Reuters) - As negociações da União Europeia sobre o fundo de auxílio por conta do coronavírus e um novo orçamento para o bloco entraram em um impasse, e o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, foi classificado por um outro líder neste fim de semana como o "homem responsável por toda a bagunça".

O primeiro-ministro húngaro, Vikton Orban, fez tais acusações, enquanto diplomatas espanhóis e italianos passaram a chama-lo de "Sr. Não Não Não!".

Bloquear a UE de gastar dinheiro em projetos exige que haja um líder contrário, e Rutte assumiu esse papel com a determinação calculada de ser líder de nações chamadas de "austeras".

Embora ele possa ser uma figura menos destacada que Margaret Thatcher foi para a geração passada, a disposição de Rutte para usar o manto da austeridade depois da saída do Reino Unido do bloco está consolidada na opinião pública e na política local.

Os holandeses, que apoiam a UE por maioria de dois terços, têm orgulho de sua história como nação comerciante e sua economia calvinista tradicional.

Os contribuintes holandeses têm consciência de que, proporcionalmente, estão entre os que mais contribuem para o orçamento da UE, de forma que a ideia de doar ou emprestar mais dinheiro é impopular.

O apelido de "Sr. Não" vem de um vídeo de abril, frequentemente retuitado, que mostra um gari holandês gritando para Rutte não dar dinheiro para "aqueles italianos ou franceses".

“Oh, não, não, não", responde Rutte. "Lembrar-me-ei disso."

Críticos dizem que a relutância holandesa em gastar dinheiro está fora de lugar em meio à pandemia, pois o país possui um grande superávit comercial com o resto da União Europeia.

O economista Erik Nielsen, da Unicredit, disse em nota neste domingo que a contribuição de 2,4 bilhões de euros da Holanda para o orçamento do bloco em 2018 "conta apenas parte da história financeira real".

“De acordo com a Rede de Justiça Tributária, estruturas de paraísos fiscais holandeses ajudaram o país a receber 6,7 bilhões de euros em recibos fiscais da Alemanha, França, Itália e Espanha", escreveu.

Mas os debates na Holanda têm constantemente o foco de que a prosperidade holandesa é resultado de maior ética laboral, e que portanto não seria justo dividir os fundos com países que possuem uma idade de aposentadoria menor.

A política local também tem um papel no posicionamento de Rutte. Com eleições nacionais marcadas para março, o partido conservador VVD, de Rutte, deve disputar eleitores mais céticos em relação à EU com legendas da extrema-direita.

Além disso, a atual coalizão de centro-direita não tem maioria parlamentar. Qualquer compromisso assumido em Bruxelas e que não tenha respaldo dos holandeses pode cair em Haia.

Tal rejeição já ocorreu em 2005 e novamente em 2016, quando um acordo assinado pelo próprio Rutte foi barrado.

(Reportagem de Toby Sterling)

((Tradução Redação São Paulo 55 11 56447751))REUTERS RS