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Por que o preço do arroz subiu 19,2% no ano, mas a inflação é de 2,44%?

·4 minuto de leitura
Foto: Getty Images / Getty Creative
Foto: Getty Images / Getty Creative

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira (9) o Índice de Preços para o Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da inflação no país. Os números de agosto mostram que os brasileiros viram preços subir 2,44% em comparação com 2019, mas alguns setores viram altas maiores, como o de alimentos.

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A inflação dos alimentos subiu 8,83% nos 12 meses entre agosto de 2019 e agosto de 2020, com destaque para o arroz, que ficou 19,2% mais caro, em média, e o óleo de soja, que subiu 18,6% no período. O que explica esse avanço desproporcional entre a inflação geral e a de itens básicos de alimentação?

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Segundo especialistas consultados pelo Yahoo, o principal fator econômico a pressionar os preços dos alimentos é o dólar. A moeda americana acumula alta de quase 30% nos últimos 12 meses, e muitos dos insumos usados pela indústria agropecuária, como fertilizantes, são importados, o que fez aumentar o custo de produção.

Além disso, o dólar alto faz com que seja mais vantajoso aos agricultores vender para outros países – e foi isso o que eles fizeram. Enquanto as exportações totais do Brasil caíram 6,8% no último ano até julho, o agronegócio viu suas exportações subirem 3,8% no mesmo período. E a participação do setor na balança comercial subiu de 42,3% para 47,1%.

Em resumo, o dólar torna a produção do arroz mais cara e também diminui a oferta no mercado interno, já que uma maior fatia da safra está sendo vendida para o exterior. Soma-se a isso o aumento da demanda: a crise econômica causada pela pandemia de covid-19 tem feito com que as pessoas comprem mais em supermercados.

Um estudo compartilhado em primeira mão com o Yahoo pela startup de gestão de finanças pessoais Mobills mostra que, entre os meses de janeiro e julho de 2020, os gastos do brasileiro com supermercado cresceram 42,61%. Para a empresa, o aumento está diretamente relacionado à pandemia.

Mais pessoas em casa (seja para preservar o isolamento social ou pelo desemprego) preparam mais refeições e precisam de mais itens da cesta básica, como o arroz. Além disso, as incertezas do início da pandemia levaram muita gente a estocar alimentos no mundo todo, aumentando a demanda no exterior tanto quanto dentro do Brasil.

E agora?

Segundo os economistas ouvidos pelo Yahoo, não há sinais hoje na economia que indiquem uma queda no preços dos alimentos no curto prazo sem uma intervenção do poder público. O governo federal, por sua vez, já disse que não vai obrigar produtores ou supermercados a baixar os preços.

"Tenho apelado para eles, ninguém vai usar a caneta Bic para tabelar nada, não existe tabelamento, mas pedindo para eles que o lucro desses produtos essenciais nos supermercados seja próximo de zero", disse na última semana a jornalistas o presidente Jair Bolsonaro, acrescentando que "medidas serão tomadas" para incentivar a queda do preço, sem mais detalhes.

A esperança do governo é de que os preços comecem a baixar entre dezembro e janeiro, com a chegada de uma nova safra de arroz no campo. "O arroz não vai faltar. Agora ele está alto, mas nós vamos fazer ele baixar, se Deus quiser vamos ter uma supersafra no ano que vem", declarou a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em recente conversa com uma youtuber de 10 anos em Brasília.

Além disso, a Câmara de Comércio Exterior do Ministério da Economia discute nesta semana a eliminação de tarifas sobre a importação de arroz, com o objetivo de trazer mais de 400 mil toneladas do arroz estrangeiro para o Brasil até o fim do ano e reduzir riscos de desabastecimento. Mas não está claro como a entrada desse arroz de fora pode impactar nos preços do produto para o consumidor final na média.

Por fim, outro fator que pode derrubar os preços é a queda do dólar – o que, para muitos economistas, é difícil acontecer antes do fim do ano, considerando o estado da economia global e as perspectivas para o avanço da pandemia.

A expectativa do mercado financeiro, segundo dos números do boletim Focus do Banco Central divulgado na última sexta-feira (4), é de que a inflação termine o ano de 2020 em 1,78%. Já a projeção do mercado para a taxa de câmbio é de que o dólar continue alto e termine o ano valendo R$ 5,25 – hoje, a moeda americana está na casa dos R$ 5,30.

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